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Jornal

Pai isolava seis filhos do convívio social no Dionísio Torres

Os filhos entre 4 e 19 anos não frequentavam a escola e tinham pouco ou nenhum contato com pessoas alheias à família. Pai afirma apenas querer proteger os seus de ameaças e ataques

26/08/2017 01:30:00
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Uma denúncia de cárcere privado e maus-tratos revelou o drama vivido por uma família no meio de um dos bairros mais movimentados de Fortaleza, o Dionísio Torres. Conforme denúncia da Defensoria Pública do Ceará, há pelo menos uma década, seis crianças e jovens não frequentavam a escola, não interagiam com vizinhos ou parentes, não dormiam em camas, não assistiam televisão. Duas sequer possuem certidão de nascimento, e o filho mais novo, 4, nasceu dentro do apartamento em parto que teria sido feito pelo próprio pai. Há seis meses, quase não saíam no corredor ou na calçada.

[SAIBAMAIS] 

O caso, que tem como suspeito de ser algoz o pai — que admite ter impedido o convívio externo da família, mas afirma apenas querer proteger os seus de ameaças e ataques —, está sendo investigado. Em casa, ele possuía duas armas calibre 38, legais, mas com registros vencidos. Preso ontem, o homem franzino, que aparenta ter cerca de 40 anos, foi liberado no fim da tarde. Para a Polícia, ainda não há provas que configurem o cárcere e é preciso considerar a capacidade mental instável do acusado.


Denúncia anônima chegou à Defensoria na semana passada, junto a um relatório do Conselho Tutelar que comprovava a situação de isolamento. Ontem, uma medida protetiva levou a Polícia ao apartamento onde a família morava e direcionou as crianças e os jovens para abrigamento. O pai — que não terá o nome revelado em cumprimento ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a fim de preservar a identidade das crianças — chegou a prestar esclarecimentos e fazer exame de corpo de delito.

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Conforme a defensora pública e titular do Núcleo de Atendimento da Defensoria da Infância e da Juventude (Nadij), Ana Cristina Barreto, a suspeita é de que o isolamento acontecia há 19 anos, idade da filha mais velha. “Ninguém sabe se aconteceu durante esse tempo todo ou se houve momentos de lucidez. Segundo as denúncias, houve períodos em que as filhas mais velhas estudaram, frequentaram a escola, os outros mais novos, não. Vamos acompanhar as medidas protetivas e suposta existência de parentes que possam reclamar a guarda dessas crianças”, afirmou.


Antes de sair na companhia de um advogado, o homem foi levado à Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa), onde o inquérito foi instaurado. Depois, seguiu para o 2ª Distrito Policial (DP) e, posteriormente, para o 4º DP. Conforme o inspetor Oberdan Campelo, as indicações são de que a mãe das crianças também era vítima. “O cárcere privado configura a falta de acesso a qualquer meio externo. Aparentemente, não era o caso, porque a casa nem trancada estava”, afirmou. O caso está sob segredo de Justiça. (colaboraram Amanda Araújo e Domitila Andrade)


Saiba mais


A denúncia

A Defensoria Pública recebeu denúncia anônima de cárcere privado e maus-tratos

 

O Conselho Tutelar visitou a casa da família no último dia 18 e constatou situação de isolamento e precariedade

 

O Judiciário deferiu medida protetiva e abrigamento das crianças, que foram resgatadas em casa

 

Defensoria afirma que situação existia há 19 anos

 

Pai foi apontado como autor do isolamento

 

A Polícia

O homem foi ouvido na Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa) e passou pelos 2º e 4º Distritos Policias

 

Duas armas calibre 38 foram encontradas na casa. Legais, mas com registro vencido

A Polícia entende que ainda não é possível configurar o caso como cárcere privado e considera o acusado instável mentalmente


O pai

Ele admite o cárcere privado, mas afirma ter sido por apenas seis meses. Diz que a atitude é de fuga a ameaças de morte

 

Pertencente a uma família de empresários, fala da briga pelos negócios

 

Destaca que sempre conversou com os filhos e os amou

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