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Família levava vida reservada, dizem vizinhos

Moradores do prédio em que foi denunciado cárcere privado relatam a ausência de interação social da família com pessoas alheias a ela, negam ter notado violência física contra as crianças e afirmam ter visto recentemente todos fora do condomínio, situação que era rara

26/08/2017 01:30:00
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Desconfiança, olhares ressabiados, pressa para entrar em casa, poucas palavras. No prédio em que, conforme denúncia, um homem mantinha em cárcere privado a esposa e seis filhos — sendo cinco com menos de 18 anos —, no Dionísio Torres, os moradores demonstram um misto de surpresa com a repercussão do caso e cautela ao falar a respeito dele. Nenhum dos vizinhos abordados pelo O POVO na tarde de ontem quis se identificar ao ser perguntado se teria notado algo estranho no comportamento da família.


Mesmo sem muita disposição para falar ou tentando encerrar logo a conversa, os vizinhos deram alguns detalhes sobre a rotina dessa família. Todos foram unânimes ao afirmar que viram as crianças, em algumas oportunidades, brincando nas dependências do condomínio. Os filhos também eram vistos em locais próximos ao prédio, mesmo que rapidamente, em um passeio na praça ou em volta do quarteirão.


Os relatos são contrários à informação de que o pai mantinha todos trancados no apartamento de cinco cômodos e sem móveis. Ninguém mencionou ter presenciado ou percebido situações de maus-tratos ou violência física contra as crianças.


Os relatos, via de regra, tratam de uma família reservada, com interação nula com os demais vizinhos. “Conhecia ele de vista aqui no prédio, mas nunca conversei com ele ou as crianças”, resumiu uma residente do prédio, que diz morar lá há cerca de um ano. “Cheguei a vê-los brincando nas escadas há cerca de três meses”, complementou outro, com o mesmo tempo de estadia no prédio.


Outro que não quis se identificar, mas conhecia a família, é um vigia de carros que trabalha nas proximidades há sete anos. O relato dele é semelhante ao de moradores: “Sempre via eles, toda semana. As crianças brincavam no caminhão do pai. Saíam com o pai nesse mesmo caminhão quando ele precisava sair para comprar alguma coisa”, explicou, visivelmente irritado ao ser perguntado. O caminhão ontem estava estacionado em frente ao prédio.


Na entrada do edifício, há um portão de alumínio em que ficam duas portas menores. Essas duas portas dão acesso a dois blocos distintos, que não se conectam dentro do condomínio. A separação, no entanto, não faz com que os moradores da outra área não conheçam tanto o pai quanto as crianças.


Tão apressada quanto desconfiada para falar, uma moradora desse outro bloco do mesmo condomínio também afirmou não conhecer a fundo detalhes da rotina da família. Mas foi taxativa ao rechaçar informações que chegaram a circular ontem, após a divulgação da denúncia. “Tem muita gente contando uma história que não é a realidade. As crianças mais velhas chegaram a ir à escola durante um tempo, mas ultimamente não estavam indo. Não é verdade que eles nunca foram”, contrapôs.

 

Saiba mais


Câmera de segurança

Do lado de fora da janela do apartamento da família, é possível avistar uma câmera de vigilância. Nenhum vizinho soube explicar o porquê da existência do equipamento. Alguns, inclusive, sequer tinham reparado na câmera.

João Marcelo Sena

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