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Jornal

Ex-policial acusado de matar Bruce morre atropelado por ônibus

Yuri da Silveira foi atropelado por um ônibus na avenida Domingos Olímpio quando voltava ao próprio carro, estacionado na calçada. Expulso da PM, respondeu a processo pela morte do adolescente Bruce Cristian, em 2010

07/08/2017 01:30:00
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Ex-policial militar acusado de matar o adolescente Bruce Cristian, 14, em 2010, Yuri da Silveira Alves Batista, 32, morreu após ser atropelado por um ônibus quando saía de um frigorífico, na avenida Domingos Olímpio, no bairro José Bonifácio. O acidente aconteceu na manhã do último sábado, 5.

[SAIBAMAIS] 

De acordo com relatos de testemunhas, Yuri segurava sacolas de compras e retornava ao próprio veículo, estacionado em frente ao frigorífico, quando foi colhido por coletivo da linha Conjunto Ceará/Aldeota, que trafegava na faixa dos ônibus.


Segundo informações da Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops), o motorista do ônibus permaneceu no local e acionou a ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Ele se apresentou no 11° Distrito Policial (DP), no bairro Panamericano, foi ouvido e liberado. O procedimento será encaminhado para o 34° DP, responsável pela área onde o acidente aconteceu. A unidade ficará à frente das apurações até a conclusão do inquérito policial.


Caso Bruce

O ex-agente público foi acusado, em julho de 2010, de atirar contra a moto onde Bruce Cristian estava após o pai do garoto não obedecer a uma ordem de parada da Polícia. O adolescente morreu no local, na avenida Desembargador Moreira, no bairro Dionísio Torres. Em agosto do mesmo ano, exame balístico feito no projétil retirado do corpo do adolescente apontou que o disparo foi realizado da arma do PM. Yuri Silveira foi indiciado por homicídio duplamente qualificado e lesão corporal, referente à queda do pai do garoto, Francisco das Chagas de Souza Oliveira, após o disparo.

 

Yuri foi expulso da Polícia Militar em 2011. Segundo o site do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), o processo foi finalizado no último dia 20 de julho. Porém, na noite de ontem, a assessoria de comunicação do TJ não conseguiu acessar no sistema os detalhes sobre a decisão.

 

Pontos de vista


A vida por um triz

Yuri caminhava pela calçada rente à faixa de ônibus ao contornar o carro e, um minuto depois, estava caído. E eu estava no ônibus envolvido no acidente. Próxima à porta dianteira do coletivo, esperando para descer perto do O POVO, vi poucos centímetros e pouco tempo separarem vida e morte. Após um barulho, o motorista parou e a maioria dos passageiros desceu para saber o motivo. Vi que, enquanto vivemos apressados e preocupados com o tempo no ônibus lotado, entrando e saindo de estabelecimentos, levando a vida, acidentes acontecem. A vida é por um triz. O trajeto diário para o meu local de trabalho terá sempre uma lembrança triste.

 

Ana Rute Ramires, repórter de Cotidiano 

 

Não esqueço

Vi os pais de Yuri da Silveira chegarem, justificadamente atônitos, em busca do filho no último sábado. Não esqueço a pressa dos dois, o incômodo do irremediável e o desamparo dos profissionais de segurança que acompanhavam o caso. Foram os “curiosos” que devolveram os pertences de Yuri, ofereceram cadeira, água e ombro. Escutaram a prece da mãe (“Vai com Deus, meu filho”) e o silêncio emocionado do pai. Dois idosos. Dois pais vendo de perto a ordem da vida contrariada pelo acaso. Não esqueço, assim como teimo em lembrar o pai de Bruce naquele domingo de 2010. Ver pais se despedirem dos filhos não é, nem de longe, uma cena fácil de enxergar. Todo desaparecimento é avassalador. 

 

Rômulo Costa,  repórter de Cotidiano

Adriano Nogueira

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