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Jornal

Rebelião termina com 13 feridos e unidade quebrada

Principal razão do motim foi a suspensão das visitas e a superlotação. Construída para 900 presos, CPPL 3 tem 1.280 internos

11/07/2017 01:30:00
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Treze pessoas ficaram feridas durante rebelião iniciada na madrugada de ontem, na Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor José Jucá Neto (CPPL 3), em Itaitinga (Região Metropolitana de Fortaleza).

Oito detentos da unidade e quatro agentes de segurança (dois policiais militares, um bombeiro e um agente prisional) saíram com ferimentos leves. Os agentes de segurança foram encaminhados à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e os presos foram atendidos dentro da unidade. Todos os feridos passam bem.


A rebelião foi controlada por volta das 10 horas. Durante a madrugada, os internos colocaram fogo em colchões e quebraram as grades das celas. Pela manhã, cerca de 50 mulheres, entre esposas e mães de presos, fizeram protesto em frente ao complexo penitenciário. Com elas, estavam algumas crianças. As mulheres informaram que o motivo do confronto foi a suspensão das visitas, que pararam há dois fins de semana sem motivo, conforme elas. De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria da Justiça do Ceará (Sejus), porém, a suspensão foi motivada pela descoberta de um túnel. As mulheres pediram ainda condições “mais humanas” no presídio. A CPPL tem capacidade para 900 presos, mas abriga 1.280 internos.


O presidente do Sindicato dos Agentes e Servidores do Sistema Penitenciário do Ceará (Sindasp), Valdemiro Barbosa, disse que o cancelamento das visitas foi necessário para que houvesse uma avaliação da unidade. “Estamos trabalhando com nove agentes prisionais para custodiar 1.800 presos”, citou. O governador Camilo Santana (PT) anunciou concurso para contratar mais mil agentes.


Luciana Teixeira, juíza corregedora da 2ª Vara de Execuções Penais de Fortaleza, está de férias, mas esteve no presídio ontem para acompanhar o andamento do conflito. Ela chegou à unidade quando a situação já estava controlada. A suspensão da visita, de acordo com a juíza, foi o grande motivador da rebelião. “Os problemas começam pela superlotação e passam pela estrutura física do sistema, que nunca foi olhada com profundidade”, analisou. Além disso, ela cita como problema a falta de ocupação dos presos.


Conforme a juíza, pela Lei de Execução Penal, seria necessário separar o preso provisório do preso já condenado. “Se torna mais difícil já que as unidades estão separadas por facções e a quantidade de vagas é insuficiente. Isso inviabiliza qualquer divisão”, comentou, acrescentando que, desde que assumiu a função, a separação de presos nunca existiu.


A ala que foi quebrada, ainda segundo a juíza, foi justamente a parte recém-inaugurada da CPPL 3. 

 

Saiba mais


Fugas, tentativas de fugas e túneis descobertos em 2017


1º/1 - A transferência de 400 presos da Penitenciária Francisco Hélio Viana, em Pacatuba, para o Centro de Execução Penal e Integração Social Vasco Damasceno Weyne, em Itaitinga, em novembro de 2016, teria gerado insatisfação entre os internos e causou protesto de esposas na BR-116.


3/1 - Mais de 4 mil presos começam a ser transferidos entre os presídios cearenses por conta de rebeliões e mortes ocorridas no Amazonas. Líderes e presos vinculados a facções são transferidos.


20/1 - Criminosos tentam resgatar presos da CPPL 3, em Itaitinga. Um dos detentos morreu e um policial foi ferido.


11/3 - Onze presos fogem da CPPL 3.


12/3 - Quatro túneis são encontrados na CPPL 3.


15/3 - Outros dois túneis são descobertos na CPPL 3.


23/4 - Túnel é encontrado na CPPL 3 antes de presos fugirem.


30/4 - Quarenta e quatro presos fogem da CPPL 3; 13 são recapturados.


13/5 - Um preso quebra a parede e foge da CPPL 3.


18/5 - Fuga de três presos durante resgate na CPPL 3.


27/5 - Treze presos fogem da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em Fortaleza.


17/6 - Dois túneis são descobertos na CPPL 3.


18/6 - Túnel é descoberto na CPPL 1, em Itaitinga.

ANGÉLICA FEITOSA

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