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Jornal

Pesquisadores estudam vacina contra a chikungunya

Médicos que participaram da última edição de 2017 do O POVO Quer Saber tiraram dúvidas sobre a chikungunya e dialogaram sobre a vacina

29/07/2017 01:30:00
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Estudos são realizados para a elaboração da vacina contra a chikungunya. A pesquisa, do Instituto Americano de Alergia e Doenças Infecciosas (Niaid, na sigla em inglês), estuda em Iowa, Geórgia e Texas a virose transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. A doença foi, na manhã de ontem, tema do último programa da série 2017 do O POVO Quer Saber.


Conhecida temporariamente como MV-ChickV, a vacina teve a primeira fase elaborada na Áustria e foi considerada segura e realmente imunogênica (induz resposta imunológica). Diretor do Niaid, Anthony Fauci destacou à revista médica Jama que a vacina pode trazer “benefício à população de pelo menos 60 países onde a transmissão de chikungunya ocorreu, assim como aos que viajam a esses países”.


Agora, o órgão financia a fase dois da vacina, usando partículas de proteínas virais no lugar de vírus vivos para induzir a resposta. São envolvidos 180 adultos de 18 a 45 anos, nos Estados Unidos.


A notícia foi compartilhada no programa por Eyorand Andrade, médico reumatologista. Ele esclareceu, a partir de perguntas do público, os mitos populares no tratamento da chikungunya. “Cloreto de magnésio não vai ter ação alguma, nem vitamina B1, suco de inhame ou própolis.

Não há nenhum fundamento científico. O que deve ser feito é combater o processo inflamatório articular de cada caso a partir da análise clínica”.


O vírus provoca intensas reações inflamatórias, principalmente nas articulações. O repouso e a manutenção de dieta saudável foram destacados por Anastácio Queiroz, infectologista e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC). “O apelo a diversas terapias mostra a dificuldade de tratamento. O uso desses remédios pode ter efeitos colaterais”, advertiu.


Casos


No Ceará, são 64.236 casos e 51 óbitos confirmados, até ontem, de chikungunya. “Tem cidades no Interior onde pelo menos a metade adoeceu. A epidemia é de difícil controle e temos que combater o agente, o mosquito. A impressão que passa é que a doença não vai embora, com casos de até três anos de sintomas. Mas é verdade que obesos, hipertensos e idosos sofrem mais”, indicou Anastácio Queiroz.


Além de explicar o processo de evolução da doença e abordar o senso comum envolvido, foi aprofundada a discussão sobre as manifestações da febre, por vezes incomum. Mais da metade dos recém-nascidos pode ser infectada pela chikungunya caso a mãe a contraia perto do parto, mesmo que o vírus não seja transmitido pelo leite materno. “O bebê, então, pode ter quadro grave após o quarto dia de vida”, alertaram os médicos.

Lucas Braga

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