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Exames de carga viral estão restritos para gestantes e crianças

A orientação é do Ministério da Saúde, que não conseguiu finalizar compra de testes. Perspectiva é de que restrição ocorra até julho. O exame de carga viral é fundamental para avaliar e iniciar tratamentos contra o vírus

17/06/2017 01:30:00
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Um dos principais exames feitos por quem vive com HIV, conhecido como carga viral, está sendo priorizado apenas para gestantes e crianças até 18 meses. A orientação foi dada através de nota técnica emitida no dia 30 de maio pelo Ministério da Saúde (MS), que não conseguiu finalizar a compra de 1,5 milhão de testes para atender demanda de 2017 e 2018.
[SAIBAMAIS]

A recomendação é de que amostras de sangue coletadas até a regularização, prevista para julho, sejam armazenadas. De acordo com informações da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (RNP %2bCeará), somente nos dias 13 e 14 de junho, o Centro de Especialidades Médicas José de Alencar (Cemja) coletou 36 amostras e a média de coleta no Hospital São José é de 50 diárias.


“Se considerarmos um paciente que faz o exame a cada seis meses e colheu sangue agora, ainda que o kit de exame chegasse amanhã, ele já foi remarcado no SUS para seis meses depois. Porque essa é a agenda diante das 18 mil pessoas com HIV no Estado”, afirmou Vando Oliveira, coordenador da Rede. No Ceará, o Laboratório Central de Saúde Pública do Estado (Lacen) é responsável por analisar as amostras através do SUS.


Infectologia

O infectologista Érico Arruda, do Hospital São José, explicou que a priorização ocorre desde o dia 12 de junho. “Se viu que o Ceará não era diferente de outros estados, com estoque de reagentes aquém, que não daria para cumprir 30 dias se a rotina fosse mantida”, explica o médico.

 

Ele detalha que, para as gestantes, a carga viral alta exige ações mais incisivas. No caso das crianças, o risco de adoecimento é maior, além da dificuldade de tratamento. “As suspensões orais não são palatáveis e as opções de remédio são menores do que os de adulto”, ressalta.


Érico destaca que o exame de carga viral é fundamental no manejo clínico dos pacientes em tratamento, principalmente aqueles que se descobrirem infectados. Ele ponderou que o problema precisa ser provisório, como anunciou o MS. “Se desabastecer por um ou dois meses temos como superar, mas se for por mais tempo isso vai comprometer a qualidade de vida de quem vive com HIV”, afirmou.


O POVO solicitou dados sobre a quantidade de kits de exames disponíveis pelo Lacen. Através de nota, a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) afirmou que o laboratório não funcionou ontem. E que, caso haja necessidade de exame para pacientes fora da prioridade, a solicitação do teste poderá ser feita.

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