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Campanha estimula respeito ao tempo do bebê no nascimento

A Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta que o percentual de cesáreas seja de 15%. No Ceará, elas são 58% dos partos. Prematuridade, déficit de atenção e hiperatividade são alguns dos riscos para o bebê que nascem em procedimentos desnecessários

10/06/2017 01:30:00
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As chances de o bebê nascer saudável aumentam a cada semana a mais de gestação, mesmo quando não há mais risco de prematuridade. Apesar de a proporção ideal de partos cesarianos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), ser de apenas 15%, no Brasil, o percentual é de 57%. No Ceará, o número chega a 58%.

[SAIBAMAIS] 

Visando sensibilizar acerca da importância de as crianças nascerem na hora certa, de forma espontânea, a campanha “Quem Espera, Espera” foi lançada na manhã de ontem, na Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).


“Nosso dever é defender que as crianças nasçam de forma segura e humanizada. A cesariana é um procedimento necessário nos casos em que há risco para mãe e para o bebê, mas há uma cultura de que praticamente todos os partos deveriam ser cesarianas, quando não é verdade”, disse coordenadora do Unicef no Ceará, Tati Andrade.


A quantidade de nascimentos entre a 37ª e a 38ª semanas de gestação, de acordo com o Unicef, está associada ao elevado número de cesarianas eletivas, sem fatores de risco que justifiquem a cirurgia e realizadas antes do trabalho de parto espontâneo. “As mães tem que se conscientizar que marcar cesárias eletivas antes do momento adequado pode trazer sequelas para o bebê”, alerta a supervisora do Núcleo da Saúde da Mulher da Sesa, Silvana Napoleão. Segundo a médica, o ideal é que o bebê nasça entre a 39ª e a 40ª semanas.


Ela explica que nas duas últimas semanas de gestação o bebê ganha peso e maturidade cerebral e pulmonar. “Nos últimos anos, essa geração tem tido muitos problemas como déficit de atenção e hiperatividade. Diante das evidências científicas, uma das razões é a prematuridade. Temos trabalhado na ambiência das maternidades porque estimula o parto espontâneo. Hoje as gestantes têm o direito de escolher a posição na qual irão ter o filho e de levar acompanhante de sua livre escolha. São estratégias para que as mães se sintam em um ambiente mais humano e familiar”, lembra Silvana.


Orientação

No último mês de março, foi lançado guia que padroniza, no Ceará, a atenção à gestante do pré-natal até o nascimento. A informação foi essencial para que o parto da primeira filha de Elba Cunha, 27, fosse do jeito que a autônoma “imaginava”. “Eu tentei me informar por meio de fontes corretas. Mas eu já tinha a ideia de que o natural era o mais ideal. Eu comecei a pesquisar e a entrar em grupos na internet sobre o parto normal e humanizado”, lembra a mãe da pequena Lia, de um mês e 15 dias. “A data provável de parto era 20 de maio, mas ela nasceu no dia 25 de abril. Na hora dela, no momento em que a gente se conectou”, conta.


Saiba mais


Mitos sobre a indicação de cesárea


1) Circular de cordão, que é quando o cordão umbilical enrola no pescoço do bebê Nesses casos, é necessário monitorar o trabalho de parto e, se a criança apresentar frequência cardíaca intranquilizadora, há uma indicação real para a realização da cesárea.

 

2) O bebê está passando da hora


Existe a data provável de parto. Bebês que nascem entre a 39ª e a 40ª semanas têm melhores resultados do ponto de vista da segurança. Se a data provável chegou entre essas semanas, há pelo menos mais sete dias para esperar com toda a tranquilidade. Passadas as 40 semanas o caso é individualizado porque os resultados se modificam.

 

3) Rompimento da bolsa amniótica


Após o rompimento o parto não precisa ser realizado imediatamente. Dependendo das condições maternas a mãe pode aguardar.

 

4) Diagnósticos questionáveis


Por exemplo, de que a mãe não tem “passagem” e a desproporção entre o tamanho da criança e a pelve da mãe quando não feitos na hora do trabalho de parto ativo.

 

Indicações para a cesárea


1) Raras condições maternas como as cardiopatias instáveis;


2) Algumas posições fetais, principalmente quando o bebê está atravessado ou em posição pélvica;


3) Gestações gemelares em que o primeiro bebê está em posição pélvica;


4) Placenta prévia (quando a placenta se insere no colo do útero e fica antes do bebê no canal de parto).

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