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Jornal

Ruas ainda acumulam mais de mil pontos de lixo

Dois anos após início da nova política de gestão dos resíduos sólidos da Prefeitura de Fortaleza, moradores ainda convivem com sujeira nas ruas

15/05/2017 01:30:00
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É trabalho cansativo. De tentar explicar aos carroceiros que eles não podem juntar o entulho dos outros e despejar em qualquer calçada. De convencer os vizinhos a esperarem os dias de coleta domiciliar. De vigiar o problema assim que ele surge e ter paciência de cobrar a Prefeitura. São estes passos apontados pelo fotógrafo Eudes Vieira, que mostra um dos novos pontos de lixo de Fortaleza, formado na esquina das ruas Carlos Vasconcelos e Luiz Alves Maia, no bairro Joaquim Távora.

[SAIBAMAIS]

Por ali, o problema começou na calçada de uma casa abandonada há dois meses.

A rampa não entra na estatística dos 1.316 pontos de lixo mapeados pela Prefeitura até o fim de 2016. Segundo a Secretaria da Conservação e dos Serviços Públicos (SCSP), este número era de 1,8 mil locais no início de 2015. Os dados fornecidos ao O POVO Online no início deste mês são os mesmos de maio do ano passado, quando O POVO fez o acompanhamento das ações anunciadas pela Prefeitura em 2015.


Naquele ano, 13 ações foram apresentadas para gerir os resíduos sólidos na Capital.


Dois anos depois, o desafio é ampliar resultados e mudar a relação de moradores e empresários com o lixo. Nas ruas, os resíduos ainda concentram riscos de transmissão de doenças. O problema é histórico e foi alimentado na última década pelo aumento da coleta especial urbana, que tenta esvaziar os pontos de lixo. O diagnóstico é de Albert Gradvohl, coordenador especial da Limpeza Urbana em Fortaleza.

 

Coleta especial

Ele mostra que a coleta especial urbana cresceu numa média de 37% ao ano entre 2007 e 2012. O serviço difere da coleta domiciliar, que recolhe o lixo doméstico em dias programados. A distorção no serviço teria deixado cidadãos e empresas mal acostumados no descarte de entulhos, móveis velhos e sacolas de lixo em qualquer lugar para serem levados pelo Município. No caso de empresas, o endurecimento das multas direciona o grande gerador a contratar serviço de coleta particular e credenciado pela Prefeitura.


Desfazer pontos de lixo depende de ações em diversas frentes. Iniciado em 2015, o projeto Reciclando Atitudes busca a educação ambiental mobilizando escolas, igrejas e comunidades em articulação da Secretaria Municipal do Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma). Em 2017, começou a abordagem dos moradores e a revitalização dos espaços.


Foi o que aconteceu na calçada da rua Paulo Firmeza, no São João do Tauape.

Por ali, o pintor Severino Neto, 61, relata o problema de décadas. “Foi só dar uma ajeitada que o lixo não voltou”, comemora. Há três meses, este foi o primeiro ponto de lixo excluído com as ações do projeto, conta Edilene Oliveira, coordenadora de Políticas Ambientais. A iniciativa já mapeou 30 locais, já recuperados ou em revitalização. No entanto, moradores do São João do Tauape apontam que o problema persiste a dois quarteirões dali, na calçada da escola municipal Professora Antonieta Cals.


A eliminação de pontos de lixo não evita que outros sejam “criados”, pontua Gemmelle Santos, professor do Mestrado em Gestão Ambiental do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). Para ele, esta dinâmica se relaciona com a sensação de sujeira generalizada percebida na Capital, sendo amenizada com a diminuição do volume geral de lixo coletado.

Thaís Brito

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