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Judiciário, Executivo e MPCE compartilham dados sobre facções no Ceará

Órgãos de segurança se reúnem para discutir ações de inteligência integradas. Um dos objetivos é combater o avanço das organizações criminosas existentes no Ceará

09/05/2017 01:30:00
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O sistema penitenciário cearense possui várias organizações criminosas, que se diferenciam por estrutura, ramificações e propósitos. Há pelo menos uma década, as facções vêm se fortalecendo na ausência do Estado e, hoje, são um dos maiores desafios dos órgãos de segurança pública.

[SAIBAMAIS]

Pela primeira vez, informações e estratégias estão sendo compartilhadas entre os poderes judiciário, executivo e o Ministério Público do Ceará (MPCE). O objetivo é combater a crise pela qual passa a segurança. Entre fevereiro e março, os Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) aumentaram 33% e, em abril, foram registrados 36 ataques a ônibus, agências bancárias, veículos e prédios públicos na Capital e Região Metropolitana (RMF). Os atentados teriam sido ordenados de dentro de unidades penitenciárias.


Cobrador de um dos ônibus incendiados, José Nunes era cadeirante e não conseguiu sair do veículo, no último dia 20 de abril. Ele teve queimaduras de terceiro grau e, desde então, esteve internado no Instituto Doutor José Frota (IJF), mas morreu na manhã de ontem.


“Tivemos um crescimento muito grande das organizações criminosas no Ceará nos últimos cinco anos. A principal explicação para isso é que, nas penitenciárias, o Estado foi se mostrando ausente”, avaliou o procurador geral de Justiça do MPCE, Plácido Rios. Conforme ele, o sistema penitenciário chegou a ser controlado pelos presos, que não ficavam mais dentro de celas e sim soltos entre as alas.

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Aliado a essa realidade, está o fato de que o Estado não garantia a segurança de quem adentrasse o sistema. “Quem fazia isso eram as organizações. Quando achávamos que estávamos prendendo um criminoso, estávamos era criando mais um membro de organização”, destacou o procurador.


De acordo com levantamento do Ministério Público de São Paulo, o Ceará é o terceiro do País em número de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), com 2.403 novos membros. “Temos organizações realmente estruturadas, que têm o crime como fonte de comércio e obtenção de lucro. E tem organizações que se firmaram como movimento reivindicatório de direito dos presos”, frisou Plácido Rios.


Ontem, o procurador recebeu representantes da Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus) e Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE).


Ações em conjunto

É a terceira reunião entre os órgãos e ações integradas já aconteceram. O superintendente da PF, Delano Bunn, destaca a operação Déjà-Vu, que ocorreu em conjunto com a PRF e prendeu policiais rodoviários acusados de corrupção.

 

A troca de informações possibilita ainda que seja feito, dentro das unidades prisionais, o arranjo das organizações criminosas, com base em informações compartilhadas dos sistemas de inteligências. “Estamos elaborando um acordo de cooperação com a PF para que a gente possa ter um sistema de interceptação entre os bancos de dados da Polícia e da secretaria”, afirmou o titular da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), André Costa.

 

Saiba mais


Para a titular da Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado (Sejus), Socorro França, “se (as facções) se organizam do lado de fora, temos de nos organizar melhor aqui dentro”.

 

Ela destacou ainda a importância da realização das audiências de custódias. “Hoje o que temos são pessoas amontoadas por falta de espaço”, disse, referindo-se ao sistema penitenciário.

 

O desembargador Teodoro Santos disse que “os inimigos não estão nas instituições”. Para ele, os órgãos de segurança pública “podem até errar, mas o erro só é pecado quando é doloso”.

 

Em abril, conforme levantamento do O POVO, o número de homicídios no Ceará bateu recorde.

 

Foram pelo menos 358 óbitos, a maior marca para abril dos últimos cinco anos.


Dos quatro meses deste ano, só em fevereiro houve redução de assassinatos, de 9,4%.

 

O governador do Estado, Camilo Santana, anunciou reforço no policiamento.

 

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