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Jornal

Ex-PM condenado a 14 anos por comandar homicídio em caso de iraniano

Após quase 10 horas de julgamento, Jean Charles da Silva Libório foi condenado pelo júri popular. A defesa irá apelar ao TJCE

27/05/2017 01:30:00
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Jean Charles da Silva Libório foi condenado a 14 anos de prisão pela acusação de comandar a morte do empresário Francélio Holanda, no dia 8 de julho de 2010. Preso desde o dia 12 de agosto do mesmo ano, Jean deverá apelar ao Tribunal de Justiça do Estado (TJCE), alegando que a decisão foi injusta. O processo de mais de três mil páginas demorou sete anos para ter seu julgamento realizado. Sete jurados foram responsáveis pela decisão.

 

Jean Charles, que era sargento da Polícia Militar (PM) era acusado de comandar assassinatos a mando do comerciante do ramo de eletrônica, o iraniano Farhad Marzivi. Além do caso de Francélio Holanda, ele consta como envolvido na morte de um casal (Carlos José Medeiros Magalhães e Maria Elizabeth Almeida), que estariam colaborando com a Polícia contra o iraniano. Jean ainda será julgado por esse crime.


O julgamento que durou quase 10 horas, debateu principalmente o registro feito por antenas telefônicas de ligações entre os acusados de envolvimento no crime. Após o depoimento de duas testemunhas de defesa, Jean Charles foi interrogado e afirmou ser inocente. Contou ainda que precisou escapar de cinco tentativas de homicídio nos sete anos preso. “Me roubaram o que eu tinha de mais importante: meu filho e minha profissão”, destacou.


O ex-PM disse não lembrar se teria saído de casa na noite do crime e insistiu que a reunião com Farhad Marzivi, aconteceu após o assassinato de Francélio.


De acordo com o promotor de Justiça Ricardo Machado, há registros de “farta comunicação” entre Jean e outros dois acusados. Tudo captado por antenas telefônicas em vias próximas à rua João Cordeiro, onde ocorreu o assassinato, e também perto do horário do crime. “Eles estavam se comunicando, organizando e comprovando o assassinato”, afirmou.


O promotor ressaltou ainda depoimentos de outras pessoas acusadas de envolvimento, mais especificamente um soldado da PM que chegou a ser acusado, mas foi impronunciado (sua denúncia não foi levada à frente por falta de provas). “Ele (o soldado) disse que, dias antes do assassinato, estava em casa quando chegou Libório e a esposa. Disse que ia participar de uma execução a mando de um gringo e o chamou. Mas, ele não aceitou”, detalhou. Jean confessou que frequentava a casa e era amigo do soldado, mas que as declarações feitas por ele seriam no sentido apenas de “se beneficiar”.


Defesa

Durante o debate da defesa, o principal argumento foi o de insuficiência de provas. Segundo o advogado Silvio Vieira, as antenas que identificaram a ligação podem captar o sinal a quilômetros de distância. “Não se traz prova da participação. Não tem conteúdo e localização exata”, argumentou. O advogado citou a chacina do Curió, que resultou na prisão de mais de 40 policiais. “Tudo porque as antenas mostraram que eles estavam próximos”, disse.

 

Para Sílvio, seria preciso levar em consideração que, sob dúvida, o réu deve ser beneficiado. “Tivemos de buscar evidências fora do processo, porque a defesa precisa ser plena”, afirmou o advogado.

 

Saiba mais

 

Farhad Marzivi, preso em 2010, era empresário da área de eletroeletrônicos em Fortaleza.

 

Ele é apontado como mandante de pelo menos 11 homicídios.

 

Antes do homicídio de Francélio, Farhad teria encomendado a morte do auditor da Receita Federal, José de Jesus Ferreira.

 

Em 2012, ele foi condenado a 20 anos de prisão.

 

Em 2014, o iraniano, preso no Mato Grosso do Sul, denunciou à Polícia um plano de sequestro do ex-marido da ex-presidente Dilma Rousseff. Ele nunca provou e supostamente apenas queria negociar deportação.

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