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Jornal

Dois anos após doação, dinheiro não chegou a abrigo em Maracanaú

Por causa de burocracia e informações desencontradas, instituição que acolhe crianças não pôde receber cinco mil euros doados

13/05/2017 01:30:00
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Há dois anos, cinco mil euros foram doados com o objetivo de comprar camas, colchões, ventiladores, mesas e sofás para o abrigo Professor Elias Cavalcante de Andrade, em Maracanaú, que atende crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Porém, informações desencontradas e uma pilha de papéis não deixaram que o recurso chegasse onde devia. Os 14 jovens que moram na instituição continuam precisando dos móveis, o dinheiro perdido foi encontrado e já há autorização para que ele seja usado. Mas ainda não se sabe quando isso acontecerá. Tudo por causa da burocracia.

[SAIBAMAIS] 

“Fui lá esse ano e vi que a situação é a mesma. A Prefeitura diz que as necessidades mudaram, mas eu constatei que não. Os colchões estão sujos, não tem sofá para assistir televisão… e ficam enrolando, por que não compram logo?”, desabafa Arlene Kigma, vice-presidente da Fundação Brazil Live, na Holanda, que fez a doação. Indignada, ela disse que, em 2015, foi instruída pelo filho do prefeito de Maracanaú, Ítalo Camurça, e pela primeira-dama, Kamile Camurça, a depositar o dinheiro em uma conta da Prefeitura.


A conta era a do Fundo Municipal para Criança e Adolescente, que tem como objetivo financiar projetos que atuem na promoção, proteção e defesa dos direitos da criança e do adolescente. Na verdade, o dinheiro só chegou ao Fundo em outubro de 2015, oito meses após a doação ser realizada. Ficou em uma conta qualquer da Prefeitura, embora a elaboração do projeto para que o abrigo recebesse o dinheiro do Fundo tivesse começado dois anos antes, em junho de 2013.


“O problema foi que o projeto feito pela instituição holandesa estava inadequado”, informou a secretária da Assistência Social de Maracanaú, Glauciane de Oliveira.


O projeto

Conseguir uma frequência mínima de 85% das atividades, melhorar o nível de qualificação profissional e aumentar a autoestima eram alguns dos objetivos previstos no projeto da instituição holandesa, que previa a compra de móveis, considerados como bens duráveis. “Eu vou conseguir isso comprando armário e televisão? Não vou. Então a parte teórica do projeto não casava com o orçamento”, argumentou Glauciane.

 

Conforme ela, resoluções do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescentes (Conanda) e de legislações municipais fizeram com que o projeto fosse reprovado pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), em outubro de 2015. O entendimento da Prefeitura era de que os recursos deveriam ser aplicados em bens não duráveis, como cursos e capacitações.


Um ano depois, outro projeto foi apresentado e o Conselho enfim o aprovou. Era fim de ano, as contas públicas não tinham a fluidez necessária e o dinheiro não chegou para concretizar o projeto, explicou a gestão municipal.


A esperança era de que, em 2017, a doação tentasse, enfim, fazer da vida das crianças um pouco mais confortável. Mas uma nova lei, o Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil, impedirá que isso aconteça. “O processo agora é muito maior”, ressaltou a coordenadora administrativo-financeira da Secretaria da Assistência Social, Maria de Nazaré Rodrigues. Por cerca de cinco minutos, ela detalhou uma série de novos procedimentos e exigências. E finalizou dizendo que não há data para que o dinheiro, que já rendeu milhares de reais enquanto ocupa espaço em uma conta bancária, chegue ao seu destino.

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