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Crianças têm amor e afeto com pais e padrinhos adotivos

Além de adotar, o adulto pode dar assistência afetiva, financeira ou prestar serviço às unidades de acolhimento em Fortaleza. Na Semana da Adoção, profissionais ligados ao tema buscam divulgar as opções

20/05/2017 01:30:00
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“É como se eu tivesse esperado toda a vida pra te embalar”. A frase, cantada pelo Coral do Poder Judiciário, chegava à última fileira de assentos do auditório. Ali atrás, Nathália e Hélio guardavam o sono da pequena Valentina. Minutos depois, a nova mãe chegou ao palco para recontar o processo de adoção da menina, que agora está com três anos. Um dos depoimentos feitos na abertura da Semana da Adoção, com solenidade realizada na manhã de ontem no Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE).

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Pelo perfil procurado por quem quer adotar, Valentina teria poucas chances de ter novo lar. Nascida com microcefalia, ela foi diagnosticada com paralisia cerebral e ainda não desenvolveu a fala ou o caminhar. A sífilis adquirida impossibilita a visão em um dos olhos. “A gente teve uma angústia ao precisar escolher um perfil. Eu não queria um perfil, eu queria uma criança. Porque se fosse mãe biológica, iria aceitar o que Deus mandasse, menino ou menina, saudável ou doente”, relembra Nathália Martins, 37.

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Ela ainda se emociona ao lembrar do primeiro encontro com a menina. “Eu me tremia, minhas pernas perdiam as forças. Eu me senti mãe ali”, recorda. Mesmo com rotina de cuidados médicos para a filha, ela se diz hoje realizada e inspira outras famílias a adotarem sem preconceitos. Os perfis mais solicitados por adotantes são de crianças brancas e de até três anos, segundo dados do Cadastro Nacional de Adoção para Fortaleza. Os demais tendem a crescer nos abrigos, “deixadas de lado”, aponta Vilauba Fausto Lopes, presidente da Comissão Estadual Judiciária de Adoção Internacional (Cejai).


Para a desembargadora, a mobilização de diversos agentes do setor público, civil e privado é capaz de mudar este cenário. Aberta ontem, a Semana da Adoção segue até sexta-feira, 26, quando o II Seminário da Infância e da Juventude se encerra. A intenção é discutir entraves na adoção, como demora nos processos de destituição do poder familiar. E divulgar alternativas, como o programa de apadrinhamento para crianças e adolescentes das unidades Casa Abrigo e Santa Gianna Beretta Molla. Em Fortaleza, a iniciativa foi regulamentada em 2015 e já cadastrou 71 participantes.


São três categorias de padrinhos: os que se dispõem a prestar serviço nas unidades, os que ajudam financeiramente e os que criam vínculos com algum abrigado. Neste último caso, o adulto vira o padrinho afetivo. Caso do educador social Francisco Salvador do Nascimento, 47, que desde dezembro pode levar o afilhado para passear e pode passar mais tempo com ele. “Ele tem 15 anos e passou a vida inteira institucionalizado. Conheci o menino em outro abrigo que trabalhava e criei este vínculo”, conta. A alternativa permitiu que ele não perdesse o laço com o adolescente.


Instituído em Fortaleza pela portaria nº 04/2016, o programa se volta a quem quiser prestar auxílio a crianças e adolescentes em acolhimento. As oportunidades chegam a quem tem menores chances de adoção, como adolescentes, grupos de irmãos e abrigados com doenças consideradas graves. O apadrinhamento pode evoluir para a adoção. Para isto, o padrinho deve iniciar o processo de habilitação como qualquer candidato.

Thaís Brito

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