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Jornal

Grupo que clonou cartão da Xuxa é preso novamente

12/04/2017 01:30:00

Quadrilha interestadual especializada em fraudes bancárias pela internet foi desarticulada pela Polícia Federal (PF), na manhã de ontem, no Ceará e em São Paulo. Durante a chamada Operação Valentina, 21 pessoas foram presas ou conduzidas para prestar depoimento na sede da PF, no bairro Aeroporto, em Fortaleza. O grupo é apontado como responsável por um prejuízo de R$ 7,5 milhões, valor que teria sido furtado de aproximadamente mil correntistas 

de instituições financeiras.

 

Foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva, seis de prisão temporária, oito de condução coercitiva e 25 mandados de busca e apreensão. Exceto dois mandados, sendo um de prisão temporária e outro de busca e apreensão, realizados em São Paulo, todas as demais medidas foram cumpridas no Ceará. Duas armas de fogo, joias e cinco veículos de luxo foram recolhidos pela PF.


O POVO apurou que entre os presos está Artur Franklin de Sousa Lima, 28, que seria o líder do grupo. Apontado como hacker, ele teria o papel central na organização criminosa, sendo o responsável, conforme as investigações, por disseminar softwares maliciosos entre as vítimas e cooptar membros para a organização.


Franklin ficou conhecido em 2008, quando foi preso pela Polícia Civil cearense quando clonou o cartão de crédito da apresentadora Xuxa. Sem limite de crédito, o cartão não chegou a ser usado. Empresários cearenses, porém, se tornaram vítimas do grupo. Em um único golpe, eles chegaram a lucrar R$ 1 milhão.


À época universitário, Franklin atuava com outros dois estudantes, que também foram novamente presos ontem: José Silas Silveira Júnior, 32, e Michelângelo Charles Garcia, o Esquisito, 31. A apuração revelou que ambos eram os homens de confiança de Franklin no grupo.


Conforme o superintendente da PF no Ceará, delegado Delano Cerqueira Bunn, as investigações tiveram início em junho de 2016, após uma notícia-crime apresentada pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil, que se estendeu também ao Itaú. Apesar de a quadrilha ser formada por cearenses, a grande maioria das vítimas vive em outros estados.


Golpe

Por meio de mensagem de celular contendo softwares maliciosos ou de e-mails com links falsos, o grupo obtinha dados bancários das vítimas, mas evitava se expor. Os golpes eram praticados através de celulares. Para tanto, um funcionário de operadora de telefonia foi cooptado e transferia as linhas dos alvos para chips avulsos, que eram entregues aos fraudadores.

 

Os criminosos, então, debloqueavam as transações através dos aparelhos, mediante a confirmação dos números das vítimas, e efetuavam transferências, compras e até mesmo o pagamento de boletos de terceiros. Conforme o delegado Madson Henrique Tenório Oliveira, chefe da Delegacia de Polícia Fazendária da PF e responsável pela operação, os acessos às contas eram diários.


“Eles não tinham atividade de fachada. A atividade de fachada deles era a ostentação em festas, baladas, viagens, carrões, ostentação em viver em condomínios de alto luxo na Beira Mar”, detalhou.


Os suspeitos responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de furto qualificado, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Outras pessoas continuam sendo investigadas.

 

Saiba mais


A operação contou com a participação de 110 agentes da Polícia Federal no Ceará, além do apoio para o cumprimento dos dois mandados, em São Paulo, de prisão temporária e busca e apreensão, na residência de um mesmo alvo.

 

Cartões sem chip das vítimas chegaram a ser utilizados em viagens a países como Argentina, Paraguai e Chile.

 

No Ceará, os mandados foram cumpridos nos bairros Meireles, Mondubim, Castelão, João XXIII, Cidade 2000, Jangurussu e Praia de Iracema, além dos municípios de Maracanaú e Caucaia.

 

A operação foi batizada de Valentina numa referência ao nome da cadela do principal alvo da ação, identificado pelo O POVO como sendo o hacker Artur Franklin.

 

Os 46 mandados realizados foram expedidas pelo juiz Francisco Luís Rios Alves, titular da 32ª Vara Federal em Fortaleza.

 

Uma entrevista coletiva sobre a operação foi concedida ontem na sede da PF, no bairro Aeroporto.

 

Adriano Nogueira

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