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Em seis anos, cai índice de cura da tuberculose no Ceará

Os dados são de boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria da Saúde do Ceará. Número de novos casos de tuberculose registra redução: em 2011 foram confirmados 3.653; no ano passado, 3.341

01:30 | 05/04/2017
O percentual de cura de pessoas diagnosticadas com tuberculose diminuiu ao longo de seis anos no Ceará. De 2011 a 2016, houve redução mínima do número de incidência da doença e diminuição significativa de pessoas curadas. O levantamento foi divulgado na segunda-feira, 3, pela Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa). Entre 2011 e 2015, a redução no percentual de cura foi de 18,5%.

De acordo com o boletim, em 2013, o índice de cura registrado no Estado foi de 70,3%. Em 2015, houve uma redução de mais de dez pontos percentuais e o índice chegou a 59,7%. No ano passado, os números, ainda preliminares, apontam percentual de cura de somente 21,5% das pessoas diagnosticadas. Segundo o documento, este último ano “retrata uma queda bastante significativa, mesmo se tratando de dados preliminares”.


Em relação ao dado de 2016, Sara Mendes, assessora técnica da Coordenadoria de Promoção e Proteção à Saúde da Sesa, explica que o levantamento ainda não está encerrado devido ao tempo de tratamento de tuberculose. “Existe um prazo longo de cura, cerca de seis a sete meses, e não é possível ter o registro dos últimos meses de 2016”, detalha.


A assessora técnica afirma que a pasta tem observado a redução do índice e supõe que o fato tenha relação com o abandono do tratamento antes da conclusão do ciclo. “As pessoas iniciam acompanhamento na atenção primária e, quando começam a não ter os sintomas mais fortes, elas descontinuam o tratamento por conta própria”, afirma.


No Ceará, o número de casos novos de tuberculose caiu. Em 2011, foram diagnosticados 3.653 casos novos de tuberculose. Em 2016, foram 3.341. O boletim mostra que 165 municípios cearenses (90% do Estado) confirmaram casos de tuberculose nos últimos três anos.


Taxa de abandono

No período de 2011 a 2015, a taxa de abandono do tratamento manteve-se alta: 11,6%, em média. No ano de 2016, o número registrado foi de 4,3%. No entanto, Sara Mendes explica que o valor, que é abaixo da média, também se dá devido à não finalização dos casos, o que deve ocorrer até agosto. De acordo com o boletim, o ideal é que o abandono seja zero, mas o Ministério da Saúde considera até 5% aceitável.

 

Mesmo com redução do índice de cura e aumento do abandono do tratamento, os números mostram que não houve aumento de mortes. Apesar de instabilidade entre os anos, o percentual de casos de óbito passou de 2,8 para cada grupo de 100 mil habitantes para 2,3 para cada grupo com 100 mil habitantes, em 2015.


“A tuberculose é acompanhada de acordo com notificações compulsórias. Nós acompanhamos com comitês de avaliação dos pacientes, reuniões periódicas nas sedes de atenção básica, o estreitamento dos laços com quem está na ponta do atendimento e sensibilização dos gestores dos municípios sobre essa doença, que tem diagnóstico e cura gratuitos”, afirma Sara Mendes. 
 

Números

 

18,5% é o percentual da redução de cura de tuberculose entre 2011 e 2015, no Ceará

 

3.341

novos casos de tuberculose foram registrados no ano passado no Ceará

 

Saiba mais


A tuberculose (TB) é uma doença infecciosa e transmissível que afeta prioritariamente os pulmões. No Brasil, a cada ano, são notificados aproximadamente 70 mil casos novos e ocorrem 4,5 mil mortes em decorrência da doença.

 

O tratamento é ofertado somente no Sistema Único de Saúde (SUS). Sendo assim, é gratuito. A duração é de, no mínimo, seis meses, com uso de medicamentos diários.


O principal sintoma da tuberculose é a tosse (seca ou produtiva). Por isso, recomenda-se que todo sintomático respiratório (pessoa com tosse por três semanas ou mais) procure um médico para diagnóstico.


Há outros sinais e sintomas, além da tosse, que podem estar presentes nas pessoas doentes, tais como febre vespertina, sudorese noturna, emagrecimento e cansaço/fadiga.

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