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Corpo é encontrado; mãe reconhece pertences de Débora

Sandália e roupas que estavam junto ao corpo encontrado foram reconhecidas por mãe da menina Débora

01:30 | 08/04/2017

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Dentro de uma caixa de papelão e soterrado entre o lixo no cruzamento das avenidas Pontes Vieira e Via Expressa, o corpo de uma criança encontrado em avançado estado de decomposição, de aparentemente 4 anos e do sexo feminino, pode ter posto fim à busca por Débora Lohany de Oliveira. A menina desapareceu no dia 27 de março. Ainda à espera de resultados de perícia e exame de DNA, uma sandália rosa e algumas roupas achadas junto ao corpo foram reconhecidas pela mãe de Débora, Daniele de Oliveira Santos.

 

As investigações do caso, até então centradas em crime de rapto e na busca pela menina, querem agora confirmar a identificação da vítima e do autor do crime. Autoridades policiais informaram somente que as investigações são, neste momento, sigilosas.


Na noite de ontem, circularam informações de que um homem preso em Mulungu, a 110 km de Fortaleza, seria um suspeito de envolvimento no desaparecimento de Débora. Contudo, a assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) afirmou que, até o momento, não houve prisão relacionada ao caso.


“Não temos nada a revelar no momento, até mesmo para não atrapalhar. A gente lamenta muito, fica se perguntando como um ser humano é capaz de um ato desse. Por nossa parte, não poupamos nenhum esforço, nenhum recurso”, comentou, ontem à tarde, o titular da SSPDS, André Costa, em coletiva de apresentação dos índices de criminalidade no Estado.


O secretário afirmou ainda que imagens de câmeras privadas da área onde o corpo da criança foi encontrado poderão ser solicitadas. Durante a mesma entrevista, o governador Camilo Santana (PT) lamentou o desfecho do caso.

 

Achado

O achado do cadáver de uma criança foi comunicado à Polícia ontem, por volta das 7 horas. A mãe de Débora Lohany esteve no local e viu os objetos encontrados junto ao corpo. Na tarde de ontem, por telefone, Daniele falou ao O POVO que reconheceu a sandália e as roupas como sendo da filha. Ela foi a uma funerária ontem à tarde, mas contou ainda não saber quando seria o sepultamento da criança, caso a Perícia confirme que o corpo é de Débora.

 

Na Aerolândia, bairro de onde a criança desapareceu, vizinhos lamentavam o desenlace. A vendedora autônoma Maria Concebida, 49, mantinha um fio de esperança e dizia torcer para que não fosse de Débora o corpo encontrado, embora não conseguisse convencer nem a si mesma disso. “Não consigo acreditar que esta criança esteja morta. Convivi com ela. Brincava muito lá em casa. Que tristeza!”, lastimou.


A SSPDS, por meio de nota, divulgou que “devido ao estado de decomposição em que o corpo foi localizado, não é possível afirmar ainda que se trata de Débora”. A secretaria aguarda resultado de DNA e salienta que estão em curso as investigações para “identificar e prender o responsável pelo crime”.

 

Para entender

 

27/3 - Débora brincava com um amigo, na avenida Raul Barbosa quando teria sido levada por um homem. As buscas começaram no mesmo dia.

28/3 - Família faz B.O. e retrato falado do suspeito. Homem com características semelhantes às descrições foi encaminhado à Dececa e liberado em seguida.


29/3 - Vizinhos protestam na avenida Raul Barbosa cobrando respostas sobre o sumiço da menina. Segundo homem com características do suspeito é levado à Dececa e liberado por não ser reconhecido pela família.


3/4 - Moradores voltam a protestar.


4/4 - Buscas pela menina são suspensas até o surgimento de novas pistas.


Ontem - Corpo de criança é encontrado em meio a lixo.

ADRIANO NOGUEIRA

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