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Peças de "tatuzão", do Metrofor, são furtadas antes mesmo do uso

Tuneladoras que seriam para escavações do metrô tiveram componentes furtados no ano passado. Os 'tuzões' nunca foram usados

01:30 | 29/03/2017
Peças e motores das quatro tuneladoras adquiridas pelo Governo do Estado para escavar túneis das obras do Metrô de Fortaleza (Metrofor) foram furtados. Os crimes ocorreram em junho do ano passado. Foram levados fios de cobre, cabos elétricos, peças de um grupo gerador e motores dos equipamentos.

 

O caso foi registrado em boletim de ocorrência pelo diretor de obras subterrâneas do metrô, Maurílio Banhos Dias. O furto foi confirmado pelo 34º Distrito Policial, onde o caso foi denunciado.


Conhecido como “tatuzão”, o maquinário foi fabricado nos Estados Unidos pela empresa The Robbins Company. As tuneladoras chegaram a Fortaleza em 2013, mas nunca chegaram a ser usadas nas obras do metrô. Os equipamentos seguem parados no Porto do Pecém e na Estação João Felipe.


Na manhã de ontem, o deputado estadual Heitor Férrer (PSB) fez a denúncia do caso na tribuna da Assembleia Legislativa. “Essas máquinas nunca tiveram a função de escavar um metro de chão sequer. Estão encaixotadas”, criticou o parlamentar.

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De acordo com Férrer, o caso será encaminhado para a Comissão de Fiscalização e Controle da Assembleia ainda hoje. A ideia é que o funcionário que registrou o boletim de ocorrência seja ouvido pelos parlamentares. O deputado também informou que vai reportar a situação ao Ministério Público do Estado (MPCE).


“O caso se agrava porque esses equipamentos estão sem manutenção desde 2015. Como os tatuzões são de alta tecnologia, sem esse cuidado, eles se deterioram”, disse.


Em nota, a Secretaria da Infraestrutura do Estado (Seinfra) admitiu o furto, mas minimizou dizendo que esta foi a “única ocorrência nos 42 meses (3 anos e meio) que os equipamentos estão de posse do Governo do Estado”. O órgão disse ainda que os responsáveis pelo furto foram presos na época.


Segundo a Seinfra, existe “vigilância ostensiva no local e um trabalho de conservação”, o que prevê “o correto acondicionamento dos materiais, com substituição de lonas para cobertura de peças e contêineres para peças mais sensíveis”.


Esses serviços, de acordo com a secretaria, já são suficientes para manter o “bom estado dos equipamentos”, que até hoje não foram utilizados na prática. A pasta reforçou ainda que o maquinário deve passar por “manutenções mais complexas” quando as obras do metrô forem retomadas. Não foi divulgado, porém, prazo para o reinício dos serviços.

 

Para entender


2012.

Ordem de serviço para liberar as quatro tuneladoras é publicada no Diário Oficial do Estado em julho. Licitação é de R$ 128,2 milhões.

 

2014.

Começam obras da estação do Colégio Militar. Tatuzões seriam usados para escavações do Centro até lá. Prazo não foi cumprido e uso foi adiado para maio de 2015.

 

2015.

Prazo não é cumprido. Obras da Linha Leste ficam interrompidas por problemas com as construtoras, e os equipamentos continuam sem uso.

 

2016.

Obras permanecem paradas. Os “tatuzões” nunca chegaram a ser usados.

RÔMULO COSTA

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