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Dois casos suspeitos de influenza A estão sendo investigados no Ceará

Síndrome respiratória aguda grave (SRAG), a influenza A pode levar a óbito. No Ceará, campanha vacinal deve ocorrer em abril e não há suspeita de surto. Em 2016, 17 mortes foram registradas no Estado

01:30 | 08/02/2017

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Dois casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) estão sendo investigados pela Secretaria Estadual da Saúde (Sesa). A suspeita é de que sejam infecções pelo vírus influenza A (H1N1). A Sesa emitiu nota técnica para orientar profissionais de saúde sobre a identificação precoce da doença, que, em 2016, causou 17 óbitos no Estado. Campanha vacinal para prevenção da influenza ocorre em abril. Entretanto, no Ceará, o aumento na incidência começa a ser observado a partir deste mês.

 

“O que se notifica hoje são os casos graves, que respondem por uma parcela pequena, que a doença evolui. Pode se manifestar em adultos normais e saudáveis, mas é mais comum em idosos, crianças de baixa idade, grupo de pessoas com diabetes e doenças crônicas, transplantados e gestantes”, destaca o infectologista Roberto da Justa. Conforme ele, existem três tipos de vírus influenza: A, B e C. O último sequer se manifesta em humanos, mas o A apresenta potencial epidêmico: possui grande variabilidade genética e infecta outros animais, o que o faz ter um maior potencial.


De acordo com a nota técnica, no ano passado foram notificados 534 casos de SRAG no Estado, sendo 105 (19%) causados pelo vírus influenza, 53 (9%) por outros vírus respiratórios e um caso de SRAG (0,1%) por outros agentes etiológicos. “É um vírus respiratório, de uma família diferente das arboviroses (zika, dengue e chincungunya). Mas costuma circular nesta época de chuvas no Ceará e a circulação se torna mais intensa porque neste período as pessoas costumam se aglomerar com mais frequência”, diz Justa.

 

Vacinação

Para o infectologista, a campanha de imunização deveria ocorrer no máximo em fevereiro de cada ano. Ele detalha que a variabilidade do vírus exige que uma nova vacina seja criada a cada ano. “Após a vacina, a proteção máxima vem em 15 dias. É uma vacina muito segura e com eficácia razoável de prevenir em até 80% a ocorrência da doença e, caso ocorra, previne o óbito”, informa Roberto da Justa.

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O médico destaca ainda que não há motivo para pânico. Não há nenhuma suspeita de surto ou epidemia e a ocorrência de casos está dentro do esperado. “Precisamos monitorar e ter vigilância para observar qualquer alteração. O importante é manter a população orientada para buscar atendimento se necessário”, acrescenta.


O POVO solicitou ontem informações sobre a nota técnica da Sesa, os casos de 2016, os exames que confirmam o vírus e a disponibilidade do medicamento Tamiflu, indicado para o tratamento. A assessoria de comunicação da pasta informou que os dados só poderiam ser fornecidos na manhã de hoje. (João Marcelo Sena e Sara Oliveira)

ADRIANO NOGUEIRA

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