VERSÃO IMPRESSA

Apesar de melhorias, problemas em postos de saúde persistem

Quatro anos após Roberto Cláudio visitar, no início da primeira gestão, postos de saúde de Fortaleza, O POVO volta a algumas unidades

01:30 | 17/02/2017
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Quarta-feira, 2 de janeiro de 2013. Logo no primeiro dia após tomar posse pela primeira vez como prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT) chamou a imprensa para acompanhá-lo em visitas a postos de saúde da Capital no intuito de detectar os principais problemas e propor soluções. “Falta de médicos, de medicamentos, problemas estruturais como bancos, paredes e chão quebrados, além de falta de pintura”, resumiu O POVO do que ouviu do prefeito, na edição impressa publicada no dia seguinte às primeiras visitas.

[SAIBAMAIS]

Segunda-feira, 23 de janeiro de 2017. Sozinho, desta vez, O POVO voltou aos dois primeiros postos de saúde vistoriados, em 2013, pelo prefeito — reeleito para mais quatro anos à frente da gestão municipal — e, em ambos, identificou novamente quase todos os problemas citados por RC em 2013.


No posto de saúde Floresta, no Álvaro Weyne, onde, em 2013, as condições estruturais haviam sido consideradas “precárias” pelo prefeito, a deterioração permanece visível para quem caminha pela rua Tenente José Barreira. Pintura desgastada, mofo, infiltração, telhado danificado, janelas vedadas com sobras de papelão que outrora armazenavam insumos. Uma funcionária da unidade informou à reportagem, na saída do expediente, que, dentro, tudo estava funcionando: só faltavam materiais de limpeza, segundo ela.


Por não ter sido autorizada pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS) a acessar as duas unidades, a reportagem não se identificou ao entrar no posto Floresta. Passou pela recepção — um cômodo pequeno, com bancos sem conforto, onde poucas pessoas se enfileiravam à espera de atendimento — e seguiu para o banheiro, onde teve liberdade para fotografar o ambiente que, por si só, confirmava o que a funcionária havia dito: mau cheiro, vasos sanitários sem tampa, cestos de lixo sem separação por hospitalar e comum, ausência de papel higiênico e de sabonete ou álcool em gel.


Jacarecanga

No Jacarecanga, no posto de saúde Carlos Ribeiro, as condições estruturais são de paredes rachadas ou remendadas grosseiramente, portas desgastadas e banheiros sujos e malcheirosos. A unidade foi a segunda visitada por RC em 2013. Agora, os entrevistados por lá não reclamam da estrutura física: denunciam a falta de medicamentos. “Médico passou cálcio e não tem”, reclamou a comerciante Sandra Campos, 52, que havia ido ao Carlos Ribeiro buscar remédio para a cunhada, a empregada doméstica Araci Pereira, 60. Na expectativa de também conseguir medicamento, o motorista aposentado Francisco Rodrigues, 69, desabafou: “Com essa segunda gestão (do prefeito Roberto Cláudio) dizem que tudo vai melhorar, mas…”.

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Outro lado 31 de janeiro de 2017. Na contramão dos postos Carlos Ribeiro e Floresta, estão estruturados em padrão modelo os postos Benedito Artur de Carvalho (no bairro Luciano Cavalcante) e Pompeu Vasconcelos (Barroso), nos quais a entrada do O POVO foi autorizada pela Prefeitura. Ambos têm consultórios equipados e climatizados, salas de espera com TV de tela plana, banheiros limpos e bem identificados, equipes de limpeza trabalhando a todo momento e uma movimentação de pacientes típica de clínica particular.

 

Contudo, mesmo nessas unidades há reclamação por falta de medicamentos e demora na marcação de consultas e exames especializados. Atendida há dois anos no Benedito Artur de Carvalho, a projetista Maria Vânia Pereira, 55, diz que não consegue remédio para tratar o hipotireoidismo — a não ser que recorra ao posto Carlos Ribeiro, no Jacarecanga — e que também quase não encontra anti-hipertensivos. Por ora, busca encaminhamento para fazer ressonância em clínica particular. “Porque se eu for esperar pelo SUS, não vou fazer nunca”, avaliou.


Sem responder especificamente sobre a permanência das condições precárias dos postos Carlos Ribeiro e Floresta, a SMS enviou nota explicando que, nos primeiros quatro anos da gestão RC, o Município concentrou esforços para construir 19 novos postos e reformar 70 dos que já existiam. Além disso, informou que estão em reforma as unidades Graciliano Muniz, no Conjunto Esperança, Guiomar Arruda, no Pirambu, e Maria de Lourdes, no Tancredo Neves.

 

Resumo  da série


Em dois dias,  O POVO mostrou o desafio do abastecimento de medicamentos nos postos de saúde de Fortaleza e a situação das unidades — com postos que enfrentam dificuldades e outros que tiveram melhorias.

 


 

 

LUANA SEVERO

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