VERSÃO IMPRESSA

Sete pessoas são denunciadas por fraude no Enem no Ceará

Os acusados, dos municípios de Juazeiro do Norte, Barbalha, Porteiras e Brejo Santo, teriam fraudado as provas de 2013 e 2014

01:30 | 27/01/2017

[FOTO1]

Sara Oliveira

saraoliveira@opovo.com.br


Sete pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal (MPF) por fraude no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no Ceará. A investigação, iniciada em 2014 pela Polícia Federal — que resultou na prisão de duas pessoas no Estado, à época — comprovou que os acusados usavam de condições especiais para fazer a prova em horários diferenciados. Assim, tinham tempo hábil para ter acesso ao gabarito.


O procurador da República e autor da denúncia, Celso Leal, explica que os candidatos favorecidos se inscreviam como sabatistas (pessoas que não podem fazer atividades laborais antes do pôr do sol aos sábados e, por isso, respondem a prova no período noturno) e deficientes visuais, que tinham uma hora de acréscimo para responder às questões do exame.


“Desse jeito, os ‘pilotos’, responsáveis pela resolução da prova, tinham tempo para repassar as respostas”, afirma Celso.


Conforme ele, a quadrilha foi desarticulada há dois anos, mas a conclusão do inquérito policial se deu em 2016. “Muitas das investigações da Polícia foram por interceptação telefônica, mas às vezes não se consegue denunciar um crime assim, então prosseguimos a investigação”, relata.


Curso AprovaMed

Para o MPF, alguns dos envolvidos admitiram a fraude e houve ainda comprovação de que o gabarito era repassado através de mensagens de texto. O grupo, de acordo com o órgão, agia nos municípios de Juazeiro do Norte, Barbalha, Porteiras e Brejo Santo, na Região Sul do Estado. O procurador aponta que o esquema era idealizado e organizado por empresa de assessoria e curso voltado para vestibulares e Enem com sede em João Pessoa. Dois dos acusados são apontados como proprietários do estabelecimento.

“O dono do curso tem origem na cidade de Porteiras. Na época, pessoas foram presas no Cariri por estarem de posse do gabarito no celular, mas elas não estão entre os denunciados de hoje”, explica o procurador Celso Leal.


O MPF deverá continuar a investigação para confirmar se a fraude teve continuidade, tendo em vista que não há pessoas presas e o curso ainda está em funcionamento, inclusive utilizando como propaganda o número de estudantes aprovados em Medicina.


“Sem dúvida temos uma investigação paralela, porque há elementos para crer que existem outras pessoas. Os ‘pilotos’, por exemplo, não foram identificados”, detalha Celso. O objetivo é conseguir mais provas para reforçar o processo criminal, que deverá ser aceito pela Justiça Federal. “Os réus apresentarão a defesa e o juiz dará a sentença, que pode ter como pena a prisão dos acusados”, afirma o promotor.

 

O POVO entrou em contato com a empresa de cursos. O telefone de um advogado foi fornecido, porém, as ligações não foram atendidas ontem.


Saiba mais

 

Em 2014, de acordo com a Polícia Federal, 40 candidatos que haviam feito o Enem de 2013 foram beneficiadas pelo esquema de fraude.

 

Quatro pessoas foram presas à época, duas em Juazeiro do Norte, na Região do Cariri, e duas na Paraíba.

 

A suspeita era de que o gabarito fosse vendido por R$ 30 mil.

 

De acordo com informações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), as “eventuais fraudes” ocorridas nas edições de 2014 e 2016 estão sendo investigadas.

 

Para que o Inep cancele a inscrição de participantes fraudadores os inquéritos precisam ser concluídos.

TAGS