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Família busca irmã desaparecida

01:30 | 24/01/2017

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A distância e o tempo não permitem muitas lembranças da irmã desencontrada. Sabe-se que seu nome de batismo é Francisca Sousa, mais conhecida como Cotinha. A idade também não é uma certeza. Arriscam dizer que ela tem hoje seus 70 anos e que era a “mais alva e conversadeira” entre os dez irmãos que moravam na localidade de Sítio Macaco, em Alcântaras (a 285 km de Fortaleza). Da história, que remonta à década de 1960, o que se tem é vontade de reencontro e recomeço.

 

Foi isso que levou a irmã Maria Salvador de Sousa, 63 anos, a buscar o paradeiro da parente há, pelo menos, 53 anos desaparecida. “Ela foi a primeira a ir embora, porque não gostava do meu pai. Ele batia em todo mundo”, diz Maria, que hoje mora no Espírito Santo.


Até pouco tempo, ela também não sabia onde estavam os outros irmãos. Uns permaneceram no Ceará e outros tentaram a vida no Maranhão e no Pará. A ânsia de reconhecê-los a fez retornar à terra natal. Na Sítio Macaco, reencontrou irmãos e outros parentes, menos Cotinha.


A última vez em que todos a viram foi em 1963, ainda no Sítio Macaco. A mãe, Raimunda Antônia de Sousa, havia falecido no ano anterior. Os dez filhos ficaram sob os cuidados do pai, Antônio Salvador, que acumulava problemas de convivência com eles. Certo dia, em uma discussão de família, excedeu-se e agrediu Cotinha, que fugiu para a casa de um conhecido da família, no distrito de Belém — também em Alcântaras —, e depois partiu para Fortaleza. Até hoje.


Só tiveram notícia de Cotinha novamente na década de 1980, quando ela visitou a Cidade para buscar um sobrinho para criar. Desde aquele dia, ninguém mais soube do paradeiro dela. Nem o sobrinho levado, que, tempos depois, retornou à Cidade. “Uma das coisas que eu mais quero na vida é reencontrar minha irmã. Queria, pelo menos, saber se ela é viva”, peleja Maria Salvador, que é cega de nascença.


O desejo de reunir todos os irmãos é sentimento permanente entre os que resistem. Além de Maria, a família era formada por Manoel, Alzira, Edmundo, Chico, Luci, José, Anastácio e Joana. “Eu acredito que, se for viva, ela tem muita mágoa do passado. Mas a gente dividiu o sofrimento junto”, reparte Anastácio Antônio de Sousa, 61, que hoje mora no Pará. “Essa é uma tentativa de reestruturar nossa família”. (Rômulo Costa)

 

Serviço

 

Informações sobre Francisca Sousa, a Cotinha, podem ser repassadas ao O POVO

Telefone: (85) 32556248

Email: cotidiano@opovo.com.br

ADRIANO NOGUEIRA

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