PUBLICIDADE
VERSÃO IMPRESSA

Nem tudo é como você quer

01:30 | 22/01/2018

Pagar impostos, acordar cedo para trabalhar, entrar em filas... Enfim, a lista de coisas que nós precisamos fazer e que produzem alguma sensação desagradável é extensa e diversificada. Então, por que você acha que o programa de exercícios físicos mais adequado para suas necessidades de forma e função tem que ser sempre divertido?

A indústria do fitness é extremamente dinâmica e de tempos em tempos procura reinventar-se para manter-se viva — apesar da instabilidade econômica que assola o País e do sedentarismo ainda tão prevalente em nossa população. Até aí tudo bem — os serviços precisam se adaptar às constantes e novas demandas do mercado.

Mas daí a querer agradar o público consumidor através, prioritariamente, de mimos, diversão e facilidades que descaracterizam o próprio serviço e comprometem a entrega dos benefícios propostos é dar um tiro no próprio pé.

A essência do exercício físico é produzir um esforço que o indivíduo não está acostumado a suportar. Em função disso, as estruturas do corpo humano procuram se adaptar a essa “agressão” controlada e progressiva, resultando em ganhos de força, resistência e outras capacidades motoras. Quando, após algum tempo de prática contínua, você se acostuma e já não sente os músculos desafiados, não há como continuar melhorando sem que novos estímulos componham seu programa de treinamento.

Movimentos novos, mais velocidade, mais carga, mais tempo, intervalos reduzidos, uso de métodos consagrados pela literatura, enfim, são muitas as formas de buscar os resultados que você almeja. Mas deixa eu te dizer uma coisa com sinceridade e sem eufemismo: uma certa dose de desconforto e fadiga, alguma dor e até vontade de desistir fazem parte do pacote. Aceita que dói menos.

Creio que está claro que escolher modalidades de atividade física que proporcionam prazer e despertam a motivação é uma das premissas para bons resultados. Porém, é necessário compreender que, mesmo praticando algo de que se gosta, invariavelmente você terá de experimentar sensações não muito agradáveis para se aproximar dos objetivos que você mesmo determinou.

Na verdade, nem sempre os exercícios que você precisa são os que você gosta de fazer. Alguns profissionais de educação física escolhem os exercícios com base apenas nas preferências dos seus clientes.

Apesar de não ter nada contra essa prática, prefiro prescrever exercícios de acordo com os resultados que eles proporcionarão.

Em um texto recente, Marcos Tadeu, um dos maiores especialistas do País no mercado fitness, afirmou que estamos vivendo a era das atividades e academias training centric, ou seja, focadas no treino e nos resultados dos clientes. Ora, se o foco está retornando para os resultados, aumenta a responsabilidade do profissional de educação física que deve dominar, além do conhecimento técnico, a competência de adaptar treinos para diferentes realidades e a capacidade de inspirar/motivar seus supervisionados.

Já que esforço parece ser a palavra de ordem e é um pré-requisito para bons resultados em praticantes de exercícios físicos, que ele seja diversificado, progressivo e inteligente. Compartilhar essa necessidade com um profissional de educação física responsável pode fazer toda a diferença.