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Joelhos que doem em exercícios

00:00 | 03/09/2017

Relato de dor ou desconforto no joelho não escolhe gênero, faixa etária, nível de atividade física, estilo de vida e condição social. Definitivamente essa articulação está entre as mais acometidas de lesão na prática esportiva e também lidera boa parte das queixas entre os frequentadores do ambiente academia.

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Antes de tudo, é bom explicar que no joelho existem duas articulações: uma entre a tíbia (osso da canela) e o fêmur (osso da coxa) e outra entre o fêmur e a patela (aquele ossinho que parece uma bolacha e fica bem na frente do joelho). Além dos ossos, existem outras estruturas, com funções muito bem definidas: ligamentos, tendões, cápsula articular, membrana sinovial, bursas, enfim, “peças” que quando atuam de forma integrada e coordenada produzem movimentos eficientes e seguros.

Infelizmente, em função de seu posicionamento, das suas exigentes funções de suporte e de uma série de características estruturais, os joelhos estão muito expostos ao risco de lesão. Acrescente-se a esses fatores outros como: peso corporal excessivo, sedentarismo, impactos sucessivos sem uma estrutura adequada de amortecimento e exercícios mal selecionados ou executados com técnica inadequada completam os elementos mais agressores e que geram risco para uma série de lesões e condições incapacitantes. Justamente nesse ponto que é muito frequente ouvir conselhos do tipo:

- “Basta você fortalecer o joelho que isso passa...”

- “Suspende a corrida que é isso que está causando suas dores. ”

- “Isso é falta de alongamento. ”

Enfim, esses são alguns dos conselhos, quase sempre oferecidos com a melhor das intenções, mas que infelizmente poderão não surtir o efeito desejado.

Dar sugestões genéricas e baseadas apenas em experiências pessoais ou senso comum, sem determinar antes a causa do problema, além de não fazer sentido, é arriscado demais. Para se ter uma ideia da complexidade da articulação do joelho, frequentemente a causa da dor pode estar bem distante dali, pois alterações estruturais ou no padrão de movimento dos quadris ou tornozelos podem repercutir diretamente no alinhamento articular e sobrecarregar estruturas do joelho até gerar inflamações ou desgaste.

NUNCA vale a pena pular etapas. Uma análise atenta sobre o histórico de saúde, um exame clínico detalhado, acompanhado de imagens específicas e de relatos minuciosos sobre como começou a dor, o que a exacerba, o que a alivia, além de uma avaliação sobre os parâmetros de aptidão física relacionados à saúde articular são condições básicas antes de sair prescrevendo exercícios de forma aleatória ou generalista. Creio que já é possível concluir que a interação entre os diferentes profissionais de saúde envolvidos com o tratamento e o retorno às atividades físicas é uma das condições que gera melhor prognóstico.

Claro que há problemas: consultas médicas sem um adequado exame clínico, fisioterapia inespecífica e colegas de Educação Física que não têm o conhecimento apropriado para adaptar e direcionar o treino no caso de uma lesão no joelho. Nessas e em outras situações suspeitas de condução inadequada do processo de recuperação, o paciente deverá estar atento e compreender que se não houver (ainda que de forma lenta) uma melhora dos sintomas, padrões de movimento mais eficientes, maior capacidade de realizar as atividades do dia a dia e um desenvolvimento das capacidades motoras envolvidas com o movimento dessa articulação é hora de rever o processo e talvez “mudar a rota”.

Protocolos de exercícios para determinado tipo de lesão representam apenas uma direção sobre que parâmetros de treino podem ser adotados, afinal, tais protocolos já foram testados em estudos controlados e apresentaram desfechos predominantemente satisfatórios. O que não pode acontecer é a reprodução “ipsis litteris” da mesma sequência de exercícios e métodos para todos. Por exemplo: muitos autores defendem a ideia de que indivíduos com artrose no joelho devem priorizar alongamento do quadríceps (esse grande músculo na frente da coxa); obviamente esse procedimento realmente ajuda o sujeito que apresenta encurtamento ou excesso de tensão nesse músculo, mas será que contribui da mesma forma para outro indivíduo, também portador de artrose, que já tem um nível de flexibilidade no quadríceps muito acima da média considerada normal? Enfim, como quase tudo que diz respeito ao treinamento físico, é muito difícil generalizar e, como estamos discutindo saúde, adaptações e ajustes individuais nos protocolos se fazem mais necessários ainda.

Um mesmo diagnóstico de lesão articular pode apresentar sinais e sintomas completamente distintos entre duas pessoas, em outras palavras, a tua condromalácia patelar não é igual à minha. Você, que tem dor nos joelhos, precisa fazer exercícios, mas procure garantir que a orientação sobre quando, quanto e como está bem fundamentada e, acima de tudo, respeita suas características individuais.

Bons treinos!!!