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Estrelas gêmeas estarão nuas em 10 anos

01:30 | 26/11/2018
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[email protected] [email protected] leitores da coluna Visões do Cosmos, hoje vamos abordar um dos mais importantes estudos da Astrofísica moderna - ETA CARINAE.

 

Estrelas não são "bolas de fogo queimando". Numa definição bem simples, 

podemos dizer que estrela é uma esfera gigante e luminosa, composta de gases quentes e ionizados chamados de Plasma. A forma esférica das estrelas é mantida graças à ação da gravidade.

 

O brilho das estrelas é oriundo da fusão nuclear do hidrogênio, que existe nos seus núcleos, essa fusão ocorre durante uma parte da vida das estrelas, transforma o hidrogênio em hélio, produz uma enorme quantidade de energia, que é lançada ao espaço. Todos os elementos químicos encontrados na natureza foram criados pelas estrelas nesse processo de fusão nuclear e nucleossíntese estelar.

 

A estrela mais próxima de nós é o Sol, que é a fonte de energia e vida em nosso planeta. A parte do Sol que vemos, com a vista devidamente protegida, é a Fotosfera. As outras partes são detectadas somente através de equipamentos especiais e sondas espaciais projetadas para observação em outros comprimentos de onda. As famosas manchas solares estão localizadas na Fotosfera e podem ser observadas com pequenos telescópios adaptados com filtros para observação solar ou por projeção em um anteparo através de uma luneta refratora. Não se deve olhar diretamente para o Sol, é altamente prejudicial à visão, podendo levar à cegueira.

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O FENÔMENO ETA CARINAE

 

Um dos maiores astrofísicos brasileiros, o professor doutor Augusto Damineli é um dos principais pesquisadores dos fenômenos que envolvem a estrela Eta Carinae e descobriu que se trata de uma "estrela dupla". Em entrevista com o ilustre colega, ele relatou:

 

"A estrela Eta Carinae é a mais luminosa da Via Láctea, brilhando como 5 milhões de sóis. Situada a 8 milhões de anos-luz de nós, seu brilho atual é apenas igual ao da "Intrometida" do Cruzeiro do Sul. Há 170 anos ela teve uma grande erupção, sendo vista em pleno dia. Isto a torna um mistério, pois todas as estrelas que explodiram dessa forma morreram e ela continua brilhando. Na verdade, 'elas', pois descobrimos que se trata de uma estrela dupla. A nuvem de poeira que ela ejetou, a encobriu e ainda não podemos vê-las claramente. Seu brilho vem aumentando rapidamente, o que leva muitos pesquisadores a conjecturar que ela poderia explodir de novo dentro de poucos anos. Nossas pesquisas, entretanto, mostraram que o que está acontecendo, na verdade, é que tem uma nuvenzinha de poeira exatamente em sua frente e ela está se dissipando. Pelos nossos cálculos, essa nuvem vai desaparecer dentro de 10 anos, o que permitirá que poderemos ver o par de estrelas gêmeas muito mais claramente do que foi possível até agora. Em particular, esperamos ver melhor o buraco produzido pela estrela menor quando ela mergulha na atmosfera da maior, o que acontece a cada cinco anos e meio."

 

O professor doutor Augusto Damineli é professor titular da USP e pesquisador em estrelas de alta massa. É um dos coordenadores do Telescópio Gigante Magalhães, o primeiro da geração de telescópios Extremamente Grandes que entrará em operação em 2024. Foi diretor brasileiro dos telescópios Gemini instalados no Havaí e nos Andes chilenos. Ele também coordenou o Ano Internacional da Astronomia no Brasil em 2009.

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