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Cassini-Huygens e "o senhor dos anéis"

00:00 | 24/09/2017
Ilustração mostrando Cassini-Huygens em órbita de Saturno NASA / ESA
Ilustração mostrando Cassini-Huygens em órbita de Saturno NASA / ESA
Última foto registrada por Cassini do satélite Titã, a maior Lua de Saturno NASA / ESA / ASI/ DIVULGAÇÃO
Última foto registrada por Cassini do satélite Titã, a maior Lua de Saturno NASA / ESA / ASI/ DIVULGAÇÃO

Caros amigos leitores da coluna Visões do Cosmos, hoje faremos uma homenagem a uma das maiores façanhas da engenharia aeronáutica já feita pelo homem – a missão espacial Cassini-Huygens.

A missão foi um projeto consorciado entre a NASA, a ESA (Agência Espacial Europeia) e a ASI (Agência Espacial Italiana). Tinha como um dos objetivos estudar o planeta Saturno, suas principais luas, a heliosfera e também testar a Teoria da Relatividade.

A espaçonave era composta de dois módulos: o orbitador da Nasa Cassini (homenagem ao astrônomo e matemático italiano Giovanni Domenico Cassini) e a sonda europeia Huygens (homenagem ao físico, matemático e astrônomo holandês Christiann Huygens).

A missão foi lançada em 15 de outubro de 1997 e chegou a seu destino – a órbita de Saturno, sete anos depois, em 1º de julho de 2004, foram quase 20 anos de missão e mais de 2 bilhões de quilômetros percorridos. Durante 13 anos de atividade em órbita de Saturno e seus satélites naturais, Cassini enviou para a Terra mais de 450 mil fotografias e milhares de informações científicas do planeta dos anéis.

A sonda Huygens tinha uma missão à parte, separar-se do orbitador Cassini, penetrar na atmosfera e pousar na superfície da maior lua de Saturno – Titã —, sendo a primeira vez que um artefato de engenharia construído pelo homem pousou em um planeta do Sistema Solar Exterior. O pouso ocorreu com sucesso no dia 14 de janeiro de 2005, quando a sonha Huygens passou a transmitir para a Terra dados científicos e imagens de Titã.

Toda a missão teve seu final no último dia 15 de setembro, quando Cassini foi direcionada para uma rota de colisão com Saturno sendo totalmente destruída pelo atrito com a atmosfera do planeta.

Mas por que esse final, se a missão era um sucesso? Cassini foi projetada para funcionar até 2008. Devido a esse sucesso tecnológico, a sonda ganhou uma sobrevida até 15 de setembro desse ano. No entanto, sua bateria, feita de Dióxido de Plutônio — 238, já estava no final e então a NASA, devido a importantes motivos, resolveu destruir a sonda enquanto ainda funcionava. Um desses refere-se ao lixo espacial e outro é a chamada Proteção Planetária, onde é previsto se evitar a contaminação biológica em outros planetas.

No entanto, antes do desfecho final, a missão realizou tarefas da mais alta importância para a ciência. Entre 1998 e 1999, Cassini-Huygens sobrevoou o planeta Vênus, enviando importantes dados para a Terra.

Logo depois, registrou imagens do asteroide 2685 Masursky, situado no cinturão de asteroides entre os planetas Marte e Júpiter, definindo seu tamanho entre 15 km e 20km de diâmetro. No final do ano 2000, a sonda sobrevoou o planeta Júpiter, efetuou medidas científicas no entorno do planeta e registrou excelentes imagens coloridas do maior planeta do Sistema Solar. Um dos mais importantes experimentos realizados pela Cassini-Huygens foi a comprovação de elementos da Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein. Isso ocorreu quando a sonda estava entre Júpiter e Saturno e enviou ondas de rádio para a Terra, onde detectava uma variação na frequência das ondas quando elas se aproximavam do Sol, mostrando assim que a massiva gravidade do Sol distorce o espaço-tempo. Outra importante descoberta foi a detecção de um oceano de água congelada embaixo da crosta do satélite Encelados. Dessa forma a missão descobriu que existe água fora do nosso planeta anunciando o que pode ser o primeiro sinal de vida extraterrestre.

O PLANETA SATURNO

É o segundo maior planeta do sistema solar, está aproximadamente a um bilhão e meio de quilômetros do nosso Sol, isso equivale a dez vezes a distância da Terra ao Sol. Seu ano dura quase 30 anos dos nossos, ou seja ele gasta quase 30 anos para dar uma volta em torno da nossa estrela. Ele também gira muito rápido como Júpiter, seu dia dura pouco mais de 10 horas. Saturno é um planeta gasoso, sua atmosfera é composta de 73% de Hidrogênio e 3% de Hélio e a temperatura chega a 180 graus abaixo de zero. Sua densidade é menor do que a da água, isso significa dizer que se pudéssemos colocar Saturno dentro de um gigantesco oceano, ele ficaria boiando na água.

Saturno possui 31 satélites conhecidos, um deles Titã, é maior do que o planeta Mercúrio. O globo de Saturno é quase do tamanho de Júpiter e seu diâmetro é quase dez vezes o diâmetro da Terra.