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Esquivel e Boff incomodam

2018-04-22 00:00:00

A semana terminou com o Brasil sendo acusado de dar mais um passo em direção ao Estado policial e de exceção. Em Curitiba, o Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel e o teólogo Leonardo Boff foram impedidos de visitar o ex-presidente Lula. Ambos são amigos do líder preso - o que atende a uma das condições da Lei de Execução Penal (Art.41). Em segundo lugar, Esquivel tem prerrogativa internacional para fiscalizar estabelecimentos penais, e já o fez em vários países. Dois requerimentos, feitos por ele, foram negados. Diante da alegação de que ele tinha apenas dois dias de permanência no País, a juíza da 12ª Vara Federal de Curitiba, Carolina Lebbos, respondeu com desdém: “problema do Esquivel se ele está só de passagem”. Já Leonardo Boff é um teólogo conhecido internacionalmente. A repercussão do episódio foi péssima para a imagem do Brasil. Reforçou a ideia de que defender Lula é defender o Estado democrático de direito prestes a soçobrar: http://bit.do/eei62 .
 


DREYFUS


Estima-se que Adolfo Esquivel seja apenas a primeira personalidade internacional de uma prestigiada fila formada no Exterior para visitar o Dreyfus brasileiro na solitária de Curitiba. No âmbito interno, uma comissão de parlamentares já comunicou às autoridades carcerárias que chegará lá na terça-feira. Não pediu autorização, vai em nome da Câmara Federal exercer a prerrogativa fiscalizadora que a Constituição lhe confere. Nem a ditadura de 1964 deixou de reconhecer essa prerrogativa parlamentar. Aliás, o momento atual já se assemelha ao clima de 64, tanto na intromissão indevida dos militares na vida política, como na reedição do Febeapá (Festival de Besteira que Assola o País) do saudoso Stanislaw Ponte Preta, como se viu no hilário espetáculo proporcionado pela fake news divulgada pela senadora Ana Amélia (DEM-RS), ao confundir a emissora de TV árabe Al-Jazeera, com a organização terrorista Al-Qaedda e acusar sua colega de Senado, Gleise Hoffmann, presidente do PT, de fazer um chamamento aos grupos terroristas, pelo simples fato de ela ter pedido a solidariedade do mundo árabe para o caso Lula. O mesmo pedido que ela fez a outros países, através de várias emissoras estrangeiras.

 

PRESO POLÍTICO
 

No Exterior está assentada a convicção de que o ex-presidente é um preso político, por ser inocente e seu processo tido como uma aberração jurídica. A sentença de Sérgio Moro foi traduzida e lida por vários juristas estrangeiros e se teve acesso aos documentos e livros de colegas nacionais expondo o absurdo jurídico. Veja-se o que diz o advogado Pedro Serrano: http://bit.do/eekY2. Vendo-se a falta de provas, percebe-se que o único intuito da ação penal é político: impedir que o povo o eleja de novo presidente do Brasil. Isso foi reforçado, aliás, pelas duas últimas pesquisas de opinião (DataFolha e Vox Populi) realizadas após a sua prisão.

 

1º DE MAIO UNIFICADO
 

Daí a razão de se querer isolar Lula numa solitária. A grande mídia começou a escondê-lo no dia seguinte à prisão. Faz de tudo para não noticiar o que se passa no acampamento em frente aonde está detido e no qual se realizam diariamente manifestações políticas e culturais, transmitidas pela internet ou pela TVT (Televisão do Trabalhador), da CUT. Pela primeira vez as centrais sindicais vão realizar um 1º de Maio unificado. E escolheram Curitiba para sediar o evento. Depois do feito de unir as esquerdas, o ex-líder sindical conseguiu unificar as organizações dos trabalhadores e os movimentos sociais. Caravanas de todo o País estarão na capital paranaense para o grande protesto e exigir sua soltura e o direito de concorrer à eleição.

 

‘‘LULA LIVRE”
 

Camisas com a efígie e o dístico “Lula Livre”, em vários idiomas, se espalham pelo mundo, encampadas por poderosas redes sindicais americanas e europeias, movimentos sociais e culturais e artísticos da América Latina, e personalidades (a famosa ativista Angela Davis exibiu uma delas), tal como se fazia com Mandela.

Valdemar Menezes

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