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Semana do ridículo

00:00 | Jan. 07, 2018
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Duas proposições ridículas permearam a cena política, no Brasil, esta semana, acentuando o desembestamento total de uma direita destrambelhada que não se preocupa mais sequer em salvar as aparências. A primeira sandice foi o pedido dirigido pelo prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior, do PSDB, ao ocupante do Palácio do Planalto, Michel Temer, para o emprego do Exército e da Força Nacional contra manifestações populares programadas em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia do julgamento, na segunda instância, do recurso contra sua condenação pelo juiz Sérgio Moro. O desfecho está marcado para o próximo dia 24, no Tribunal Federal Regional da 4ª Região (TRF-4), situado na capital gaúcha. A segunda aberração foi o balão de ensaio levantado na imprensa pelo artigo do ex-ministro de Planejamento da Venezuela pré-Chávez, Ricardo Hausmann, a favor da intervenção de uma coalizão militar estrangeira em seu país para depor o presidente Nicolás Maduro.

 

LAWFARE

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Não se acredita que haja desconhecimento por parte dos perseguidores de Lula de que o pedido de emprego de forças militares para impedir a livre manifestação é inconstitucional. O inciso XVI do Art.5º CF é claro: “todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente”. Assim o pedido do prefeito só pode ser visto como uma provocação. Aliás, todo o enredo desse processo é considerado um atentado ao Estado Democrático de Direito pela sua falta de isenção e pelo caráter persecutório (lawfare). Essa é a conclusão de renomados juristas e da defesa - junto a ONU, inclusive. O mundo está acompanhando o esperado justiçamento de um líder popular prestigiado no planeta inteiro. Haverá observadores internacionais. A opinião pública mundial já está ciente – pelas declarações de juristas, manifestos de personalidades e cobertura da imprensa estrangeira - que o objetivo é impedir a candidatura de Lula, pois a maioria dos eleitores o quer presidente novamente. E isso nem Washington, nem seus paus-mandados internos toleram.


PATACOADA

Já a patacoada do ex-ministro venezuelano, pedindo intervenção estrangeira em seu próprio país, além de ser um ato claro de traição à pátria, conforme a Constituição da Venezuela e o Direito Internacional (pois só o povo venezuelano poderia decidir essa mudança, ainda que o governo não esteja isento de objeções) demonstra o desespero de certas correntes oposicionistas. A proposta revela, ademais, a indigência dos que desconhecem a atual correlação de forças no cenário mundial, onde os EUA não podem mais tudo. Uma intervenção desse tipo conflagraria o continente inteiro e invadiria alguns espaços não mais submetidos incondicionalmente a Washington. Nem China, nem Rússia deixariam a coisa correr sem profundas dores de cabeça para a Casa Branca. A situação na América do Sul se tornaria incontrolável. Estima-se que o governo ilegítimo e corrupto do Brasil - que mal se equilibra nas pernas - se desminlinguiria de vez. E se isso fosse seguido por uma eventual tomada de poder pelas Forças Armadas brasileiras, esta apenas prolongaria – segundo análises correntes - a agonia de um país dilacerado pela ilegitimidade e esgotado pelo saque de suas riquezas pela rapinagem estrangeira, desde o golpe dado em 2016.

FREIO

A volta de Lula significaria um pé no freio nesse processo de pilhagem do País, cujo retrato mais vergonhoso foi, nesta semana, a indenização prévia paga pela Petrobras a um escritório de advocacia americano, no valor de US$ 2,95 bilhões de dólares, quase R$ 10 bilhões (oito vezes o valor de R$ 1,475 bilhão que a empresa diz ter recuperado com a Operação Lava Jato no Brasil). E isso, antes de qualquer sentença condenatória e sem exame prévio das instâncias decisórias brasileiras. Não é à toa que Pedro Parente – já processado anteriormente por prejuízos causados aos interesses da empresa e do Brasil – foi posto novamente lá pelos entreguistas.

DEPENAÇÃO E PRESSA

Depois da entrega de nacos inteiros de terras brasileiras a estrangeiros (sobre as quais a soberania nacional se torna uma ficção), bem como de uma empresa do porte da Embraer a Boeing, sem falar do pré-sal à Shell e Exxon e do desmonte da indústria naval e da engenharia nacional, uma pergunta é inevitável: o que sobrará quando essa turma for despejada do poder? Pelo que se vê, restará apenas um Brasil depenado, tal como um carro tomado de assalto e abandonado em terreno baldio. A pressa em condenar Lula é para fechar, o quanto antes, qualquer brecha à possibilidade de isso ser revertido. Fato que aconteceria se ele fosse reconduzido ao Planalto, como indicam as pesquisas pré-eleitorais.

 

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