Ande, Tonha!!!
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Ande, Tonha!!!

2018-11-02 01:30:00

"A pedra filosofal atirada de uma baladeira sábia, independente de que parte da cabeça do homem acerte, transforma-o em um ser genial" (Procópio Straus)

 

O velho Antônio Crente na casa de minha mãe, na visita mensal costumeira. Da praia (morador do Cauípe) traz farinha e coco seco para dona Terezinha. Em retribuição, mãe presenteia-lhe com pão e café em pó. Abençoada troca que tem já 50 anos. Abancado, a visita inicia a prosa simpática com os compadres, dirigindo-se a papai.

 

- Cuma-lhe vai, seu Zé?

- Um pôldo, Antonho! E tu, macho?

- Levando...

- Homi! Se pra mim que tô botando o negócio tá ruim, imagina pra tu, que tá levando!

 

O filho de pescador direciona o bodejado à mãe, terminando umas tapiocas.

- E a senhora, dona Terezinha?

- Tô bem dizer boazinha do estalicido. E tu?

- Feliz! Minha caçula, a Jarina, vai fazer vestibular pra "almedicina".

- E ela passa, cumpade Antonho?

- Se Deus quiser e Nossa Senhora defenda!!!

 

A propósito do estalicido (macacoa que tá mais pro resfriado que pro 'difruço' - sinusite) de mãe, Dr. Antônio Crente mostra expertise ao diagnosticar:

- Dona Terezinha, uma gripe, se senhora tomar remédio, fica boa numa semana. Mas, se não tomar nada, fica bom em sete dias...

 

Tomates pequenos miúdos

Dr. Chico Barreto, apreciador dessa espécie de tomate menor e mais doce - tomate cereja, decidiu juntar uma xícara de sementes e plantar nas terras férteis de sua fazenda na Pedra Branca. Pediu ao caseiro Pé de Rolinha que fizesse um cercadinho atrás de casa, e lá fizesse nascer uns 5 ou seis pés. Dando aquele recado.

 

- Ó, é ligerim que eles nascem!

 

Super ocupado na cidade, Chico demorou seis meses pra tornar à fazenda. Lá chegando, vexado pergunta pelos pés de tomate cereja ao morador.

- Marminino, dotô! Arranquei tudim! E fiz uma coivara grande demais!

- O que, Pé de Rolinha? Tu arrancou e queimou os pés de tomate cereja que eu pedi pra plantar?

- E foi ligêro, dotô!!!

- Por que diabo tu fez isso, macho?!?

- Porque nasceram foi uns bichim véi bem muidim! Tudo incruado!!! Nããã!!!

 

O motorista Januário

Era já uma rotina ele levar gente doente pra Fortaleza e trazê-la de volta a São José dos Gatos. Nos últimos dias, testemunhou a complicação que foi convencer dona Lalá a deixar o marido Erialdo (em cadeira de rodas) vir à capital se tratar, transportado na ambulância da prefeitura, dirigida pelo Januário. "Deixo ele ir não! Chega lá com uma doença e sai com dez! Deus me livre de perder Erialdo!", justificava a mulher.

 

Filhos e filhas debalde tentarem demover a mãe do argumento. Coube a Januário a hercúlea tarefa, bem-sucedida, diga-se. O que disse pra dona Lalá liberar o marido?

 

- Homi, leve o doente enquanto ele tá sentado!!!

 

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