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Os três pedidos

01:31 | 10/08/2018

O restaurante Flórida (do Sá Filho, do Sá Neto e do Hermínio, da Maria, do Beinha e do Clube do Bode, do Falcão e do saudoso Audifax Rios) é também pasto do amigo Luiz Pedro. Conheceu o lugar já na Rua Dom Joaquim, 68 - "quase meia nove". É de lá que nos brinda com história real. Nesse exato modelo.

 

Era um belo domingo de sol, chego ao novo endereço e sou logo atendido pelo Beinha, já trazendo o tradicional tira-gosto de fatias de carioquinha com queijo-prato e, obviamente, o combustível da ilusão.

 

Após alguns goles para matar a sede - que insistia em não ceder - verifico no entorno que, numa das mesas, sentado em posição de quem já estava nocauteado pelas doses ingeridas ("bodado", no falar caririense), um cidadão teimava em voltar ao "ringue". De repente, chega um amigo dele. Puxa a cadeira e senta-se com uma saudação sincera e óbvia.

 

- Ei cara, pelo visto e sentido já tomou todas!

 

O novo inquilino da mesa realmente era um grande amigo do colega, há horas no local. Sua maior preocupação era levá-lo para casa onde, quem sabe, após um banho frio e um caldo quente, poderia curtir a ressaca num sono tranquilo, talvez até o raiar da segunda-feira.

 

- Cara, vamos pra casa. Você já bebeu demais! Tá com cara de quem começou na sexta e está no ar há mais de 48 horas.

 

Depois de olhar bem o amigo e analisar o convite com o pouco de lucidez que ainda lhe restava, respondeu positivamente.

 

- Então me deixe em casa!

 

Mas, antes de partir, fez três pedidos:

 

- Beinha, a saideira e a conta, por favor!

 

E, virando-se para o amigo, lançou o terceiro e último pedido:

 

- Agora vá para o carro, ligue o ar-condicionado no máximo e me aguarde

que chego em 10 minutos.

 

Promessa feita, promessa cumprida!

 

Papagaio que muito fala...

 

A ave da família dos psitacídeos chegara à casa ainda 'empenujando', só cabeça e olhos graúdos. "Mas será valente e palradora, de falar de um tudo, declamar versos, cantar Detalhes do Roberto. Espantar ladrão do terreiro de casa e botar sentido no portão", apostava a dona do papagaio bebê, minha tia Rita. O nome? "Sarney", batizado José Ribamar Ferreira de Araújo Costa.

 

O Brasil era presidido pelo ilustre conterrâneo do poeta Ferreira Gular, nascido José Ribamar Ferreira. Portanto, um papagaio macho que só preá. E que não decepcionaria a dona. Cantou o rei da Jovem Guarda, não necessariamente no que queria ouvir. Sarney interpretava "Debaixo dos caracóis dos seus cabelos" com a elegância de Frank Sinatra. Conhecido no bairro por dizer o signo das pessoas, contar até 31 e mandar o povo se lascar, uma descoberta assustadora, porém, irá mudar para sempre a vida de todos.

 

Sarney era fêmea. A prova: botou um ovo depois de 30 anos. Foi rebatizado. Chama-se Marly...

 

- Nunca me enganou!!! - desabafou minha tia.