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VERSÃO IMPRESSA

O Caderno de Rosa

2017-09-26 01:30:00

Ganhei um livro novo e isso é sempre motivo de alegria. Primeiro, por ter uma nova aventura para começar. Segundo, porque fui lembrada por alguém. Esse veio de Lima, no Peru. Viajou, ocupando lugar precioso na mala de um amigo, que lembrou de mim nas suas férias.


A capa do meu presente é forrada de um papel - tecido, como os livros de luxo de antigamente. Eu poderia ficar um bom tempo apreciando os detalhes daquela encadernação perfeita, o corte reto, as dobras justas, as nervuras da capa. Uma louvação à arte de encadernar, reunir folhas e transformar nesse objeto de veneração.


A concentração das pontas dos dedos foi transferida para a ilustração da capa: uma mulher com o coração sangrando. Desenhada em traços pretos, ela olha para quem estiver com o livro nas mãos. O sangue está riscado em vermelho e ao invés de escorrer para o chão, sobe aos céus em forma de planta e conduz o olhar para o título do livro: Escribe con Rosa Montero.


Esse e todos os livros da Rosa que tenho foram presente do mesmo amigo, Marco Severo, que declarou ser impossível ver exatamente esse lançamento sem lembrar de mim. Como o título já anuncia, o exemplar que tenho em mãos é um convite à escrita. É um caderno delicadamente adornado com frases de Rosa Montero sobre o ato de escrever.


Algumas dessas frases são conselhos muito diretos. Por exemplo, a ideia de levar um mês com uma caderneta sempre a postos, com o compromisso de escrever qualquer coisa todos os dias. Segundo Rosa, ao fim o autor terá algumas boas ideias para desenvolver como romance, contos ou crônicas.


Rosa fala que o autor deve estar dentro de todos os seus personagens, mas que não deve limitar o trabalho a falar apenas de si mesmo. E que jamais deve enganar o leitor com truques baratos. Ela diz também que todo autor deve reinventar-se a cada livro, nunca repetir-se.


Mas antes de tantos conselhos usando verbos no imperativo ela adverte: escrever é algo que se aprende fazendo, como quase tudo na vida. As dicas servem para evitar os erros, encurtar um pouco o caminho.

 

Escrever tem sido uma necessidade crescente no mundo inteiro. Talvez pela incerteza do tempo em que vivemos. Transformar o sangue do coração em palavras tem parecido urgente a muitas pessoas. O caderno de Rosa Montero chega com a proposta de ser alívio, refúgio e convite. Eu mesma não sei, eu confesso, o que vou escrever nele. Começarei pelos exercícios, depois os 30 dias de anotações, de coração aberto para aguardar que as palavras me tomem em sua magia.


Adriano Nogueira

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