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Grávidos de um livro novo

2017-07-18 01:30:00

Vou lançar um livro novo este ano. Ele começou a nascer faz tempo, de uma faísca, como sempre acontece comigo. A primeira ideia costuma surgir de uma cena, de uma pessoa, ou frase. Muitas vezes, nasce de um sentimento ainda sem nome, que pouco a pouco encontra sua tradução em verbos, para que a narrativa tome seu lugar na minha cabeça e o processo criativo comece de verdade.


Uma vez que esse desejo de escrever se estabelece, a decisão é tomada e o trabalho se inicia. O primeiro movimento de escrita de um livro é a lida solitária do autor com um universo de palavras que dê conta de construir aquela história. Nesse momento, trabalho sozinha. Escrevo, apago, leio em voz alta e só entrego ao editor quando eu mesma estou gostando bastante do que fiz.


Esse percurso pode durar horas, dias, anos. Depende do fôlego do livro, depende do tamanho do tempo e do espaço ficcional daquele projeto. Cada autor tem seu método, seu percurso organizado (ou não), seu fluxo de atividade disciplinado (ou não) e tudo isso determina o prazo de escrita de um novo texto.


Pode ser um percurso feliz, calmo, aos poucos, em paz. Pode ser um turbilhão, um tsunami, uma avalanche perturbadora. Depende da prática, da experiência. Sobretudo, depende das expectativas.


Depois da primeira versão, quando a história é depositada no papel, muita água ainda vai rolar debaixo da ponte. São as revisões, as leituras especializadas, as sugestões de mudança, reescrita, reescrita, reescrita. Sorte de quem sabe ouvir críticas, é nessa fase que as principais mudanças acontecem, é quando o texto pode tornar-se espetacular.


Assim começam a chegar outras pessoas no projeto. É nesse ponto que estamos no trabalho com meu novo livro, o primeiro de contos. O título é Diga Astrasgud e será publicado ainda este ano pela Editora Dummar. Depois de ter concluído o processo solitário de escrita, estamos transformando as palavras em um livro. São várias etapas. Uma das mais importantes é a ilustração.


Dessa vez tenho a grande honra de ter meus contos ilustrados pelo Acidum, um casal de artistas que admiro muito e que tem deixado seu trabalho nas paredes de várias cidades do Brasil, da África e Europa. Tereza e Robézio leram os contos e agora estão cuidando das imagens.


Não é uma tradução, mas uma criação completamente nova a partir do que eles sentiram da minha escrita. Quanto mais liberdade, melhor. É um presente viver isso, ver o olhar de outro artista para a minha produção.


Organizamos uma reunião com a presença da contadora de histórias Tâmara Bezerra, lendo os contos em voz alta, fazendo-nos ouvir, vendo as palavras voando pelo ar.


O trabalho é acompanhado pelos editores Jader Santana e Regina Ribeiro. Juntos, vamos seguindo com as decisões e os passos para que o livro exista em breve. Assim, estamos todos grávidos do mesmo filho. É uma construção coletiva, uma experiência maravilhosa e cheia de surpresas.


Cada dia mais grávidos, mais felizes, viveremos esse parto coletivo muito em breve. O filho será do mundo, como são todos. Diga Astrasgud, meu caçula, está quase nascendo.


Adriano Nogueira

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