Mea-culpa
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Mea-culpa

2018-11-01 01:30:00
Seria um ganho humano para a convivência no futebol se comentaristas, locutores e repórteres esportivos não se deixassem levar tanto por vitória ou derrota e deixassem de emitir opiniões tipo: "Esses caras não jogam nada! Tem que mandar embora".

 

Quem da mídia esportiva procede assim desinforma o público. Aliás, quem tem o direito de reclamar é o torcedor que paga para ver o jogo, e, o mais alienado deles sabe que uma vitória não vai curar suas angústias, nem seus fantasmas, mas ajuda a aliviar a alma.

 

Por outro lado, entendo esse comportamento porque ao dizer ou escrever sobre a culpa de um ou mais jogadores o autor da mensagem estabelece com o torcedor uma cumplicidade e isso significa um aumento de audiência no seu veículo de comunicação.

 

Escrevo sobre esse assunto por conta do momento que vive o Ceará no  Campeonato Brasileiro da Série A. Começou muito mal. Nas nove rodadas iniciais, disputou 27 pontos e conquistou apenas três. Segurava a lanterna da competição.

 

A imprensa rugia: "Com esse time não dá" dizia um. "Esses jogadores são de Série B não são de Série A", dizia outro. O pessoal do Com a Bola Toda,da TVC, na qual me incluo, olhava um para o outro e, com o jeito de quem sabe tudo, dizia: "Precisa contratar uns seis".

 

E o Ceará contratou! Só que ele não foi buscar na série A. Deve ter feito mesmo umas seis contratações de jogadores da Série B e, pasmem, contratou Juninho Quixadá, oriundo da Série D. Contratou também um técnico da Série B que eventualmente tem trânsito na Série A.

 

E aconteceu uma metamorfose! Cumpridas 31 rodadas, o Ceará tem 37 pontos, acrescentando 34 pontos aos três das nove rodadas iniciais, e, tem grandes possibilidades de se manter na Série A. O site Chance de Gol sinaliza que a possibilidade de rebaixamento é de 6,6%.

 

Por conta da campanha atual, torcida, jogadores e mídia esportiva vivem em estado de graça. Todavia, precisamos aprender uma lição. Jogador de futebol não é como planta que se rega ou colhe o fruto quando se prevê. Como escreveu o poeta Geraldo Vandré, com gente é diferente.

Sérgio Redes

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