O Sonho de ser técnico
PUBLICIDADE

VERSÃO IMPRESSA

O Sonho de ser técnico

2018-08-23 01:30:00

Parei de jogar em 1979. Meu contrato terminava em dezembro e o Ceará tinha interesse em renovar. Embora só tivesse 32 anos, tinha ficado fora das partidas finais por conta de uma contusão e estava cansado e aborrecido. Era melhor sair enquanto me queriam.

 

E decidi! Não é simples. Naquele tempo os jogadores tinham o passe preso e passavam muitos anos no mesmo clube criando fortes relações emocionais com os torcedores. Na perda de um campeonato, ou mesmo de um clássico, o jogador sofria com a derrota.

 

Pensava em ser técnico. Levava jeito. Além de ter sido meia-armador - posição que obrigava a leitura do jogo - estava me formando em Educação Física pela Unifor e contava com o apoio de dirigentes e conselheiros alvinegros. O diretor de futebol Adelmo Aquino me convidou e eu aceitei.

 

Comecei como técnico no juvenil do Ceará. Dei sorte porque veio parar em minhas mãos uma meninada boa de bola e da cabeça. Seis deles com o passar do tempo viraram técnicos de futebol: Flávio Araújo, Marcelo Vilar, Felinto, Mozar Neto, Alves e Josué.

 

A subida foi meteórica. Foram me dando funções e eu as incorporando. Num espaço de três anos fui diretor-coordenador das divisões de base, técnico de juvenil, auxiliar de preparação física e técnico do time principal e técnico da equipe profissional do Ceará.

 

Bastaram duas derrotas numa semana e a descida foi mais rápida que a subida. Fiquei muito frustrado. Confirmei que as peladas nos campos de várzea, o futebol profissional e o curso de Educação Física ajudavam, mas no futebol o que importava era o resultado.

 

E aí, caro leitor, não importa sua formação porque neste universo o técnico está sempre com a cabeça a prêmio. Lembro que quando fui demitido o narrador esportivo e chefe da Ceará Rádio Clube Halmalo Silva sintetizou numa frase: Serginho é de circo, mas não sabe andar no arame.

 

Passados quase 40 anos vê-se que nada mudou. Na Série A do campeonato nacional, após 18 rodadas, foram demitidos 19 técnicos. 

 

Tem treinador que foi duas vezes. Não temos técnicos e sim equilibristas. Alguns se mantêm porque sabem andar no arame melhor que outros.

TAGS