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A verborreia dos comentaristas

2018-05-03 01:30:00

Gosto, por causa do conforto, de assistir aos jogos de futebol pela televisão. Por outro lado sei que se perdem algumas variáveis. O posicionamento de jogadores em toda a dimensão do campo é uma delas porque, com a imagem focada na bola, só aparece quem a câmera consegue captar. O que me incomoda são os locutores e comentaristas esportivos – nem todos- que falam pelos cotovelos e ficam competindo com as imagens produzidas durante o jogo. A verborreia  começa antes das equipes entrarem em campo com a análise do sistema tático. 

 

E tome 3-5- 2, 4-1- 4-1, 3-6- 1, 4-3- 3, 4-2- 3-1. Estas configurações indicam três ou quatro linhas de jogadores distribuídos dentro do campo e imagino que um comentarista deva ser prudente nessa análise porque o futebol é o mais complexo de todos os esportes.

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O telespectador que vê e ouve um comentário, ao receber essa informação, imediatamente processa na sua cabeça uma divisão entre os setores do campo levando em consideração as linhas de defesa, meio de campo e ataque e pensa que o jogo é assim. Na prática, não é. Quando a bola começa a rolar os jogadores se movimentam e dependendo do momento e do que for acontecendo, as equipes vão mudando seu sistema tático. O Ceará tem jogado num 3-5- 2 ou 3-6- 1 e quando perde a bola se defende em um 5-4-1.
 

Quem tiver interesse em estudar a origem dos sistemas táticos, sugiro que dê uma lida no Caderno Técnico Didático de Futebol, publicado pelo Departamento de Documentação e Divulgação do extinto Ministério de Educação e Cultura em 1979, de autoria do falecido professor Ernesto Santos, da UFRJ. Voltemos aos comentaristas e locutores. Analisam a maioria dos lances como se o telespectador fosse um pachecão incapaz de compreender o que está vendo. 


A ausência de uma visão crítica me leva a crer que é uma estratégia das emissoras de televisão na procura de audiência. Coisas de uma sociedade de espetáculo em que todo mundo quer aparecer. Quem tem razão é o Sebastião Belmino, comunicador singular e bem humorado, que escreveu outro dia nas redes sociais: “O comentarista deve falar antes, no meio e no fim do jogo”.

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