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Gente sem memória

2018-05-24 01:30:00
Durante uma palestra na Unifor sobre a seleção brasileira de 1970, fui interpelado por um estudante sentado na primeira fila de cadeiras: “Isso aí não é do meu tempo”. Os antigos que se cuidem! Tem gente que pensa que a vida começa quando eles nascem.

 

Em junho vai fazer quarenta e oito anos que fomos tricampeões do mundo. Para quem não viu e gosta de futebol, sugiro que dê uma olhada. Aliás, devia ser conteúdo obrigatório das aulas de Educação Física. As informações estão por aí nas lojas de vídeos, nas fitas de cinema e no Youtube.


Não tenho dúvidas de que foi a melhor seleção brasileira de todos os tempos porque, além de ganhar, jogou bonito e encantou o mundo. Escalar numa linha de ataque jogadores que nos seus clubes jogavam como meia-armador ou meia-ponta de lança foi um sucesso.


Um parêntesis, caro leitor. Naquele tempo o sistema tático mais utilizado nos clubes era o 4-3-3. A maioria deles fazia o meio do campo com um volante, um meia armador e um meia ponta de lança. Alguns faziam o terceiro homem com um dos pontas.


Era o caso da seleção de 70. Seu técnico Zagalo, que tinha sido bicampeão do mundo em 1958 e 1962 fazendo o terceiro homem pela ponta esquerda, repetiu o sistema utilizando Rivelino, Jairzinho na na ponta direita, Tostão de centro avante, Gerson de meia-armador e Pelé como meia ponta de lança.


Quando a bola rolava, nenhum desses jogadores se limitava a ocupar uma posição. Numa antevisão do que seria o futebol jogado pela Holanda em 1974, passaram a ter funções. Bola no pé da equipe adversária, todos os brasileiros marcavam atrás da linha da bola.


Bola recuperada! O time contra-atacava com força, habilidade, velocidade e sucessão de dribles. Espalhava-se pelas linhas de ataque ocupando os espaços ofensivos que por ventura aparecessem. Por trás deles ainda vinha pela direita o lateral Carlos Alberto.


Tamanha era a qualidade desses jogadores que não exagero ao dizer que Neymar brigaria por uma vaga nesse ataque. Éramos os reis do futebol, e, como diz o poeta Elton Medeiros, é sempre bom recordar “Porque povo sem memória vira fantasma de si mesmo”.

Sérgio Redes

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