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De olho na copa

2018-05-17 01:30:00
Dos vinte e três convocados para a seleção brasileira, apenas três deles, Geromel no Grêmio e Fagner e Cássio no Corinthians, jogam no Brasil. Isso é ruim. Se o Artur e o Luan estivessem jogando em qualquer clube europeu, certamente estariam na lista do Tite.

 

Para quem se queixa que a seleção brasileira só tem jogadores europeus, o pior ainda está por vir. A nova safra viaja quando completar 18 anos. Paulinho, ex-Vasco, vai para o Bayern Leverkusken; Vinicius Júnior, do Flamengo, vai para o Real Madri; e Rodrigo, do Santos, deve ir para o Liverpool.


Como a gestão do nosso futebol engatinha e não sabemos refinar a matéria-prima que nasce diariamente do Oiapoque ao Chuí, passa a ser quase obrigatório para jogar na seleção brasileira ter no seu currículo o atestado de algum clube europeu ou asiático.


Marca registrada destes tempos. Além de um excepcional preparo físico que lhe ofereça condições para atacar e defender sem cansar e de uma boa condição técnica que lhe permita executar os fundamentos, o convocado deve ter uma série de qualidades mentais.


Deve manter uma regularidade jogando em alto nível, e para isso são necessários concentração, autoestima, motivação, compreensão, controle da ansiedade. Qualidades essas que a garotada brasileira - a maioria vindo das classes menos favorecidas - não tem.


Se o Artur, meio-campista do Grêmio, estivesse jogando pelo Barcelona – foi contratado recentemente –, certamente seria convocado, pois o Artur limpa a jogada com um drible e passa com categoria. Que petulância! Como pode um jogador de meio campo ficar driblando.


E dribla, caro leitor, contrariando os manuais da zona de transição, que é onde a equipe começa a se organizar para chegar ao terço final do campo, e preparar para a finalização. Dono de uma movimentação intensa, chama o jogo para si com paradas rápidas e saídas bruscas.


Tite e sua comissão têm acertado quando aplicam na seleção brasileira esses conceitos modernos que sistematizam o futebol, porém, têm que levar em consideração que a essência do futebol reside no inesperado e quem faz o inesperado acontecer é o craque.



Sérgio Redes

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