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O meio de campo

2018-04-19 01:30:00

Após um bom início de temporada no qual conquistou o bicampeonato estadual e se classificou em primeiro lugar para as quartas de final da Copa do Nordeste, o Ceará sofreu um abalo na sua estrutura ao perder por 2 a 0 para o Santos na estreia do campeonato nacional.


Quem não viu o jogo não entende o que se passou porque, na ótica geral, uma derrota do Ceará para o Santos em pleno Pacaembu é absolutamente normal. E estranham o sinal amarelo anunciado pelo técnico Chamusca: “A gente tem que ter uma mudança de postura. Não é o fim do mundo”.
 

Claro que não é o fim do mundo, mas a forma como o Ceará se apresentou deixou os alvinegros de Porangabuçu com a orelha em pé. Após a saída do Ricardinho, o Ceará foi dominado e colocou um tapete vermelho para o Santos passear dentro de campo.
 

A parte tática, aliada à parte física, chamou minha atenção. A idade média dos cinco alvinegros que jogam pelo meio, Juninho, Ernandes, Ricardinho, Felipe e Wescley, é de 30 anos. Os do Santos, Alisson, Cittadini, Jean Mota, Sascha e Rodrigo, é de 23 anos.
 

Tecnicamente existe uma equivalência, porém a garotada do Santos imprimiu um ritmo veloz. Wescley, por exemplo, que é o mais habilidoso, não conseguiu jogar. Bola nos seus pés, e estavam lá dois ou três santistas dobrando ou triplicando a marcação.
 

Evidente que esse fator não foi o único responsável pela vitória do Santos.
O Ceará teve desfalques, e os substitutos não renderam. Reina entrou no lugar de Ricardinho e ficou perdido. Lá na frente, Artur isolado como um náufrago numa ilha deserta.
 

Diante dessa realidade, Chamusca solicitou algumas contratações. Sugiro levarem em consideração, além da qualidade técnica, a idade dos jogadores. Experiência e juventude, quando combinam, dão resultados. Jogadores mais novos desenvolvem funções de defesa e ataque com mais intensidade.
 

Sem Raul, Richardson, Pedro Ken e Ricardinho, o Ceará perde a estrutura de meio campo que o levou a ascender à primeira divisão. Domingo o desafio é o São Paulo. Como o jogo é no Castelão, o ambiente é favorável, mas Chamusca vai ter trabalho para arrumar seu meio de campo.

Sérgio Redes

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