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VERSÃO IMPRESSA

Nem sombra das chuteiras imortais

2018-03-01 01:30:00
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“Existirmos, a que será que se destina” são os versos iniciais da preciosa obra de Caetano Veloso intitulada “Cajuína”, nascida de um encontro do compositor baiano em Teresina com o dr. Heli da Rocha Nunes, pai do também falecido poeta Torquato Neto.

 

Poderíamos também perguntar a que se destina esse falso profissionalismo praticado na gestão do futebol brasileiro, caracterizado pelo autoritarismo e pela centralização e que tem como bússola o ditado: farinha pouca, meu

pirão primeiro.

 

Os interesses da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que deveriam estar voltados para o desenvolvimento do futebol em todo o País, prejudicam os clubes menores promovendo a elitização do futebol por meio das suas competições nacionais.

 

A tendência é de os clubes menores irem cada vez mais se apequenando pelo fato de não serem atraentes para os investidores, público e televisão, fazendo girar uma espiral negativa na qual o clube é prejudicado. E junto com ele vão-se os torcedores.

 

Caso se concretize essa ideia estúpida e discriminatória de extinguir os campeonatos estaduais, todo um tecido social será atingido.

 

Não é por acaso que o interesse pelo futebol vai diminuindo e os torcedores vão abandonando os estádios.

 

E pensar que o futebol no Brasil sempre foi um momento de grande afirmação humana e democrática que, segundo o antropólogo Roberto DaMatta, permitiu uma visão mais generosa e positiva de nós mesmos. Mais do que qualquer livro, filme, lei ou religião.

 

E o pior é que estamos destruindo essa vocação brasileira nas bases populares por conta de uma ganância que não permite uma leitura correta dos acontecimentos. Os dirigentes ficam cegos e fazem do mercado a estrela- guia do futebol.


Nelson Rodrigues, nosso dramaturgo maior, já dizia: “Uma simples pelada carrega todos os elementos de uma tragédia grega”. Lembro de “Cajuína”: “Éramos olharmo-nos intacta retina/ a cajuína cristalina em Teresina.” De transparente e cristalino nossos dirigentes não têm nada.


 

Sérgio Redes

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