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De olho na copa

2018-03-29 01:30:00


Quem conta é a turma do Serviluz. Anos atrás, na boate Nait Andei, um marinheiro alto e forte de cabelos avermelhados exagerou na bebida, bateu na mesa e falou alto: “Aqui não tem homem”. Os homens se apresentando e a luta não durava um segundo.


Num canto, um brasileiro coçando as unhas. O alemão percebeu o movimento e repetiu: “Já disse que aqui não tem homem”. De faca em punho, o desafiado se levantou e partiu para cima com tudo. Não teve tempo! O alemão desviou e deu-lhe uma porrada certeira.
 

Tem gente que diz que a história é inventada, mas verdadeira ou não, o que interessa é a filosofia. Não se parte para cima de adversário sem antes estudá-lo. Foi por conta da soberba do técnico Felipão que tomamos de sete desses mesmos alemães na última Copa.
 

Sete é um número cabalístico. Embora a numerologia não tenha evidência científica, tem muita gente que acredita nas vibrações provocadas pelos números. Sete são as notas musicais. O pior foi a sensação de quem viu o jogo e notou que os alemães ficaram com dó da gente.
 

Sete também são os pecados capitais, e se tem um deles que o técnico Tite está nos libertando é o da soberba. No tempo em que se aprendia nos campos de várzea e nas ruas, éramos os melhores do mundo, mas o futebol vem mudando.
 

Hoje, além da execução correta dos fundamentos técnicos (drible, chute, controle, condução e retomada da bola), é preciso correr mais que um papa léguas. Aliada a essas qualidades, torna-se imprescindível o desenvolvimento de habilidades mentais.
 

E foi baseado nesses princípios que a seleção brasileira entrou em campo para enfrentar a seleção alemã. Quer queiram, quer não, o espectro do vexame da última Copa estava presente e não foi por acaso que o infortúnio daquela semifinal foi o assunto da semana.
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Vencemos por um a zero. Não pode nem deve ser considerada uma revanche, mas ganhar foi bom e o jogo nos revelou um time coeso, forte, confiante, concentrado e motivado. Estamos aprendendo a marcar, e o ponto forte dessa manobra elimina os espaços dos adversários.
 

Não nos atiramos desastradamente ao ataque como o time do técnico Felipão nem como o brasileiro da boate. A seleção tem avançado no entendimento do jogo coletivo. O futebol está nivelado Devemos encarar qualquer adversário com uma humildade franciscana.

 

 

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