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Nem tudo é futebol

2018-02-08 01:30:00
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Ninguém sabe o número exato de vitórias de um clube sobre o outro. No levantamento feito por Eugênio Fernandes da Fonseca, que pesquisou o Clássico-Rei na Biblioteca Pública e arquivos dos jornais cearenses, cinco jogos estão sem resultados.

O primeiro deles aconteceu no dia 27 de janeiro de 1924, o segundo em 17 de fevereiro de 1924, o terceiro em 12 de abril de 1925, o quarto em 18 de julho de 1926 e o quinto em 18 de dezembro. Matéria para estatísticos e historiadores interessados em corrigir essa falha.

Um bom lugar para se começar é ali na banca de jornal do Paixão, na Praça do Ferreira, onde bate o coração da cidade. Todas as manhãs se agrupa em volta da banca uma turma que já dobrou o Cabo da Boa Esperança. Ali mora a memória e o bate-papo sobre futebol corre solto.

A praça tem sua história. Durante a ditadura, quase a destruíram, substituindo o Abrigo Central e a Coluna da Hora por uns morros gramados dentro duns canteiros de concreto. Ninguém via ninguém. Em 1991, o Fausto Nilo remodelou os espaços e hoje em dia todo mundo se vê.

A praça me traz recordações do tempo em que o Ceará concentrava no Excelsior. Qualquer bobeira da comissão técnica, eu, Erandir e Zé Eduardo dávamos uma fugida do hotel para ouvir os discos da Vox e comer um pastel com caldo de cana no Leão do Sul.

Desta vez não pude ir, mas dei uma ligada para o Babau. O Babau vive na praça, sabe das apostas e me diz que apostam em tudo. A primeira bola que sai pela linha de meta, quem primeiro acerta a trave, o primeiro gol, o primeiro jogador expulso e
por aí vai.

Segundo ele, muita gente perdeu dinheiro no Fortaleza. Como? Se o Ceará era considerado favorito, pergunto. Tem isso não!, responde. “Um Clássico-Rei não tem favorito, mas a mídia nacional e local o tempo inteiro falando no Rogério Ceni sugestiona.”

Despeço-me do Babau e fico pensando na praça, no Ceará, no Fortaleza, na imprensa esportiva e nesse vazio histórico de não sabermos o resultado de cinco edições do Clássico-Rei. E lembro de Elton Medeiros: “Povo sem memória vira fantasma de si mesmo.”

Sérgio Redes

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