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Uma indicação que sintetiza o Brasil

01:30 | 04/01/2018
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Até agora, o que de mais impactante fez o governo Michel Temer (MDB) - para o mal ou para o bem, conforme o ponto de vista e o extrato social - foi na área trabalhista. Pois, sabe como foi definida a nova ministra do setor?


O escolhido para o cargo, Pedro Fernandes (PTB), disse que foi vetado pelo ex-presidente José Sarney (MDB). Deputado pelo Maranhão, ele era aliado de Sarney, mas mudou de lado quando Flávio Dino (PCdoB) foi eleito governador. A ponto de, na votação do impeachment de Dilma Rousseff (PT), o ex-futuro ministro ter votado a favor da presidente.


Diante da necessidade de definir novo nome para o cargo, Temer convidou para sua residência oficial o presidente do PTB, que vem a ser Roberto Jefferson. Para o leitor que era muito jovem 13 anos atrás, Jefferson é deputado federal cassado e foi pivô do mensalão.


Ele denunciou os pagamentos periódicos a parlamentares em troca de votos no Congresso Nacional e admitiu ter recebido R$ 4 milhões em pagamentos do PT - a promessa era de R$ 20 milhões, mas ele disse ter recebido calote dos outros R$ 16 milhões.

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Em 2015, ele saiu da cadeia, autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a cumprir o restante da pena em casa. Permaneceu como condenado em regime aberto até 2016, quando recebeu perdão judicial do STF, com base em indulto natalino da então presidente Dilma. Não fosse pelo ato da petista, a reunião de Temer, ontem, no Palácio do Jaburu, teria sido com um condenado cumprindo pena.


Dessa reunião, saiu indicada para o Ministério do Trabalho a deputada federal Cristiane Brasil (RJ). É a filha de Roberto Jefferson.


Recapitulando:


1) Temer escolheu um deputado que havia votado contra o impeachment.


2) Sarney vetou o deputado.


3) Temer chamou Roberto Jefferson à sua casa.


4) A filha de Jefferson virou ministra.


Sarney tomou posse como presidente da República há 33 anos. Jefferson há 26 anos integrou a tropa de choque contra o impeachment de Fernando Collor, há 13 denunciou o mensalão e há menos de três saiu da prisão. É inacreditável que, passado todo esse tempo, tais personagens estejam em conversas que decidem questões tão importantes. Do nível da condução do Ministério do Trabalho no momento de mudança mais drástica em décadas.


APARIÇÃO


Foi curiosa a forma como Roberto Jefferson descreveu a opção pela filha para o cargo. Não foi indicada, escolhida, selecionada, definida, designada. “O nome dela surgiu, não foi uma indicação”.


Surgiu? Como assim nomes surgem? Ele até detalha, mas não esclarece: “Estávamos conversando, eu, o presidente Michel Temer, o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil), e surgiu o nome da deputada Cristiane Brasil”.


“Surgiu”. Ora mais.


EUNÍCIO SUGERE QUE PODE DEVOLVER MP DA PRIVATIZAÇÃO


O senador Eunício Oliveira (MDB), presidente do Congresso Nacional, deixou no ar a possibilidade de devolver ao Palácio do Planalto a medida provisória da privatização da Eletrobrás.


Ao site Poder360, ele afirmou: “Primeiro, para receber precisa ter urgência e relevância”. Ele reclama que Moreira Franco, ministro da secretaria-geral da Presidência, não negocia antes da tomada de decisões importantes. “Não conversa com ninguém”, protesta.


Em uma coisa ao menos Eunício está coberto de razão: não se justifica fazer privatização por medida provisória. Onde já se viu? A MP perde validade depois de, no máximo, 120 dias. Para se tornar definitiva, precisa passar pelo Congresso Nacional. Não faz sentido privatizar antes do aval do Legislativo. Então, melhor fazer por projeto de lei logo.


O anúncio da privatização ocorreu em agosto. A MP foi editada em 29 de dezembro. Convenhamos, o governo não agiu como se fosse algo muito urgente.

Érico Firmo

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