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Brasil 2018

01:30 | 02/01/2018

O ano deve marcar o desfecho de questões que se desenrolam há dois, três, até quatro anos. Será divisor de águas na política, com definição importante ainda este mês. Três pontos cruciais:

 

1) Julgamento de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em janeiro.

 

2) Votação da reforma da Previdência, marcada para fevereiro.

 

3) Eleições, em outubro, com campanha a partir de agosto.

 

Estes três momentos definirão o futuro político do Brasil e influenciarão os anos seguintes. Observemos um a um.

 

JULGAMENTO DE LULA


Marcado para 24 de janeiro, é o ponto culminante, do ponto de vista político, da cadeia de acontecimentos desencadeada em 2014, com a eclosão da operação Lava Jato.

 

A relevância: envolve o líder das pesquisas de intenção de voto. Será determinante para definir se Lula poderá ou não ser candidato. Todo o cenário eleitoral depende dessa questão.

 

Possibilidades: se Lula for condenado e impedido de concorrer, a eleição muda completamente. A migração de votos é incerta e haverá muita gente de olho no voto de centro-esquerda. Ciro Gomes (PDT) tentará atrair esse eleitor. Até Geraldo Alckmin (PSDB) tenderá a aprofundar o discurso para o eleitor mais à esquerda. Por outro lado, se Lula concorre, é praticamente certo que irá ao segundo turno. A campanha, então, passa a ser uma corrida para definir quem será o anti-Lula e quem terá mais chances de batê-lo.


O prognóstico: tudo indica que Lula será condenado. O Ministério Público pedirá que o registro da candidatura seja cassado. O que tende a ser confirmado. Claro que o quadro é incerto, mas os sinais emitidos do Tribunal Regional Federal em Porto Alegre sugerem que a Justiça não permitirá que o petista seja candidato. A interrogação maior é se vão determinar a prisão de Lula ou não.


REFORMA DA PREVIDÊNCIA


É a a grande tarefa a que se propôs o governo Michel Temer (PMDB). A mais importante para ele, a mais difícil de alcançar, a que mais desagrada os adversários. A intenção do Palácio do Planalto é começar a votar em fevereiro. Não será fácil e quanto mais demorar, mais complicado ficará.

 

O tema será uma constante na campanha, em qualquer cenário. Se a reforma for aprovada, haverá o embate entre os defensores das mudanças e os críticos que apontarão a retirada de direitos dos trabalhadores. Fotos dos parlamentares que votaram a favor serão espalhadas em outdoors. Se a reforma não for aprovada, o assunto talvez tenha peso ainda maior. Um dos assuntos centrais da campanha passará a ser a posição do futuro presidente. Com pressões intensas — contra e a favor — acerca da realização da reforma pelo governo que vier.

 

AS ELEIÇÕES


Tão imprevisível que o resultado da disputa presidencial pode ir desde alguém com o perfil de Lula, à esquerda, até o de Jair Bolsonaro (PSC). Os dois são os mais bem colocados nas pesquisas, mas parece improvável que qualquer dos dois vença. O petista tem considerável rejeição e, sobretudo, enfrenta muitos obstáculos para ser candidato. Bolsonaro tem tido dificuldade em encontrar partido e costurar condições que o tornem competitivo. De modo que poucas vezes um ano de eleição começou com tal nível de imprevisibilidade.

Érico Firmo

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