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O futuro do poder e a perspectiva das reformas

01:30 | 28/12/2017
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Um governo é tão forte quanto sua perspectiva de continuar a ser poder. Quando o mandato se aproxima do fim, costumam dizer os políticos, até o café vem frio. A coluna tratou ontem do quanto a avaliação de Michel Temer (PMDB) é ruim, embora já tenha sido muito pior e a tendência seja melhorar bem mais. Essa evolução será determinante para a reforma da Previdência.


A força de Temer no ano que vem – e a chance de aprovar reforma tão profunda e polêmica –, será tão grande quanto a capacidade de fazer os parlamentares acreditarem que ele fará um sucessor. Tem uma hora que a caneta não é suficiente. Basta lembrar do ocaso de Dilma Rousseff (PT). Promoveu desavergonhada distribuição de cargos e recursos. Sem resultado, porque chegou uma hora em que não se acreditava mais que ela iria se sustentar. De que vale receber um cargo num governo que está acabando?


Responder a esse desafio significará grande parte do sucesso ou fracasso da tentativa de Temer de aprovar a reforma da Previdência.

Se o governo conseguir remotamente apresentar perspectiva de poder futuro, esperança de continuidade, a aprovação das mudanças nas aposentadorias vira barbada. Sem isso, pode até ser que a reforma passe. Mas será muito mais difícil e tremendamente mais custoso. A incerteza cresce exponencialmente.


Pois bem: hoje, por mais que Temer até queira, a chance de reeleição é próxima de inexistente. A base aliada não tem candidato.

Henrique Meirelles (PSD) quer concorrer, mas depende do desempenho na economia, que depende da reforma. A galinha que vem antes do ovo. Se não sinalizar perspectiva de continuidade, Temer se enfraquece. E aí a reforma se torna mais improvável.

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A CONSTRUÇÃO DA CANDIDATURA


No último dia 16, comentei a complicação que será construir um discurso para candidaturas que estão ou estavam até há pouco tempo na base aliada do governo Temer. Citei especificamente o caso de Geraldo Alckmin (PSDB). (Leia acessando neste link: http://bit.ly/alckmin2018).


Em recente entrevista à Folha de S.Paulo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), defendeu ginástica curiosa. Afirmou que a base aliada de Temer deve se organizar em torno de um candidato que defenda as reformas, defenda a agenda do governo, mas não se vincule ao presidente. “Você não precisa ter um candidato que faça uma tatuagem ‘eu sou Michel Temer’ na testa”.


A ideia é pitoresca. Trata de defender o que o governo faz, sem defender o governo em si ou o presidente. Soa como chamar o eleitor de trouxa, que não entende o que se passa.

 

E me parece partir de um diagnóstico curioso. Pressupõe que Temer é impopular por alguma característica própria. Talvez a população antipatize com ele, apenas. E quem sabe simpatize, sei lá, com Alckmin.


A tese é contrariada pelos fatos. O presidente tem rejeição de parte da população pelo modo como chegou ao poder, mas não é só isso.


A IMPOPULARIDADE DO PRESIDENTE


Observemos a evolução das pesquisas desde que Temer assumiu a Presidência, ainda interinamente. No Ibope de junho do ano passado, a avaliação regular (36%) era quase idêntica à ruim ou péssima (39%). Havia 13% que consideravam o governo ótimo ou bom. Passado um ano e meio, os 39% de avaliação negativa duplicaram: atingiram 77%. O desempenho regular é atribuído por 19%. Ótimo ou bom, no Datafolha, caiu para 6%.


A conclusão é óbvia: Temer ficou mais impopular à medida em que o governo avançou. Na última pesquisa, melhorou um pouco. Porém, o histórico mostra que a desaprovação decorre da atuação como presidente. Então, sua rejeição não é em função de falta de carisma, antipatia inata, nada disso. Os eleitores não gostam do governo dele, não gostam das políticas que ele adota.


Assim sendo, será improvável que venham a gostar de um candidato que defenda exatamente o que o presidente tem feito, mesmo que não traga “Temer” tatuado na testa.

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