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A busca da pacificação

2017-10-10 01:30:00

Beto Studart reconheceu na tarde de ontem, em conversa com jornalistas na sede de seu grupo empresarial, que a movimentação — abortada — para encurtar seu mandato à frente da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec) agitou os ânimos e atiçou o clima para eleições na entidade, que agora devem ocorrer daqui a dois anos. Mas, as ambições já afloram. O ambiente interno já teve vários períodos conturbados. A intensa disputa na qual Jorge Parente venceu o próprio Beto foi o caso mais recente. Desde Roberto Macêdo, houve pacificação. A eleição que Beto queria antecipar ficará para 2019, mas o clima interno já entrou em polvorosa. “Espero que se acalme”, torce o presidente. Ele acredita é que o ideal seria deixar tais articulações para os últimos seis meses.


Porém, esse apaziguamento interno não pode esperar. O presidente da Fiec acredita que a efervescência externa em relação ao assunto foi mais intensa que a interna. Mesmo assim, sabe que terá de trabalhar para restabelecer a harmonia. A desistência, na última quinta-feira, da intenção de encurtar o mandato da diretoria ocorreu, segundo ele, para preservar a entidade. “Não podia fazer isso com a Fiec”, disse, sobre a intenção de encurtar o mandato e o noticiário que se instaurara.


BETO SEM CANDIDATO

Em relação à próxima eleição da Fiec, Beto afirmou que não lançará candidato. “Eu não lanço (candidato). Quero que eles se articulem”. De preferência, com chapa única. Que tudo seja discutido antes para pacificar o ambiente, defende o presidente.

E aí surge complicação extra.


O ACORDO DE ONTEM E A CONJUNTURA DE HOJE

Beto Studart reconhece que houve acordo, na época de sua eleição, em 2014, para que Alexandre Pereira fosse seu sucessor. Cada um teria mandato de cinco anos. Seriam dez anos de gestão definida. “O tempo corrói determinadas coisas”, explicou Beto sobre o fato de o acordo não estar sendo cumprido.

Segundo afirmou, houve renovação de cerca de 50% dos integrantes do conselho de representantes da Fiec, que elegem o presidente. “Tenho de respeitar o que os delegados querem, pensam”. Perguntei se há resistência no colegiado a Alexandre. Beto nega. Porém, admite que não foi tentado entendimento para que o atual vice-presidente assumisse a entidade.


“Se ele (Alexandre) quiser ser presidente, coloca. Todo mundo tem de ser eleito. Não existe presidente imposto”, comentou.


ELOGIOS

Sobre a relação interna com seu vice, ele minimiza e faz elogios. “O Alexandre é um cara grande para superar essas dificuldades”.

CONVERSA COM CID

Beto Studart disse que conversou com Cid Gomes (PDT) em meio à crise. Como revelou o jornalista Fábio Campos, o ex-governador criou grupo no WhatsApp chamado “#Contra o golpe na Fiec”.

Após a informação circular, Beto telefonou para Cid. Conversa boa, tranquila, segundo disse. Sua intenção era esclarecer as coisas, conforme narrou. Não questionou o ex-governador sobre a criação do grupo de WhatsApp. Aliás, disse que não sabe se Cid de fato criou. “Deve ter sido suas motivações”, afirmou, admitindo a hipótese de que o pedetista assim tenha agido.


Mas, uma vez que eles conversaram, não quis saber se o ex-governador de fato havia criado o grupo? A indagação foi feita pelo colega Guálter George. Beto disse que não quis confrontar, tensionar. Seu objetivo era apenas esclarecer algumas coisas, disse.


MOTIVAÇÕES

Qual a razão, então, de toda a movimentação da semana passada? Beto disse que sua intenção de rever o tempo de mandato se deu ao observar a dinâmica das instituições pelo Brasil. Entende que funcionam melhor com menos tempo sob a mesma gestão.


Estimula a renovação, argumentou.


Acha, inclusive, que a ideia de mandato de três anos pode ser retomada para o próximo mandato. Desde que haja consenso.


Negou ainda intenção de concorrer a mandato eletivo. Não quer ter vinculação com política partidária, disse ele. E afirma que não discutiu candidatura alguma com políticos ou partidos.


Afirmou, aliás, nem entender muito de política, a despeito de ter sido candidato a vice-governador de Lúcio Alcântara na chapa do PSDB, em 2006.


TASSO CANDIDATO

Nessa seara, Beto não acredita na hipótese que Tasso Jereissati (PSDB) seja candidato a governador em 2018, possibilidade que O POVO mostrou ontem. Ele afirma que o senador já disse a ele, peremptoriamente, que não disputará o governo. Mas, isso é assunto para amanhã.

 

Érico Firmo

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