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VERSÃO IMPRESSA

Retrato do Brasil "sem crise"

01:30 | 14/09/2017

O presidente Michel Temer disse em julho: “Crise econômica no Brasil não existe. Vocês têm visto os últimos dados”. Levantamento divulgado nesta semana mostra como é esse Brasil sem crise.

Os rendimento da classe A cresceram 10,3% no primeiro semestre deste ano. Esse segmento é composto pela parcela mais rica da população, com ganhos acima de R$ 17.286 mensais por família.

Já a renda das classes D e E, os mais pobres, caiu 3,15% no mesmo período. A classe B ficou praticamente estagnada, com aumento de 0,69% na renda. A classe C teve alta de 1,06% nos ganhos.

O crescimento médio da renda dos brasileiros foi de 1,5%. O que significa que a classe A cresceu quase sete vezes mais que a média. Os ricos passaram a ganhar mais, enquanto os pobres ganham menos.

JUÍZO DE VALOR

Calculista, frio e simulador foram alguns dos adjetivos que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou ao se referir a Antonio Palocci (foto), companheiro de partido e responsável pelo depoimento mais comprometedor para o ex-presidente.

Interessante a visão de Lula sobre alguém que indicou para coordenar sua campanha, a de Dilma Rousseff (PT), a quem entregou a direção da economia brasileira e ainda assumiu a Casa Civil do governo Dilma.

Nas duas passagens pela Esplanada dos Ministérios, Palocci caiu em meio a denúncias. Mesmo assim, era defendido pelo PT. Depoimento de Lula mostra que pelo menos o partido aprendeu quem é Palocci. Demorou.

SALDO ATÉ AQUI

Os quatro principais quadrantes do enredo jurídico-policial da política brasileira são constituídos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o presidente Michel Temer (PMDB), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Supremo Tribunal Federal (STF). Nos últimos dez dias de Janot à frente da PGR, os quatro ficaram mais fracos, e muito.

Restam mais dois dias úteis e a tendência é de que só piore.

Isso é bom? Claro que não. Mas deixar os problemas debaixo do tapete era pior.

ROUBA, MAS EMPREGA

Secretário de comunicação da CUT nacional, Roni Barbosa saiu-se com esta: “A Lava Jato tem uma consequência social gravíssima. Na CUT, a gente tem estudado que para cada preso na Lava-Jato nós tivemos mais 22 mil desempregados no Brasil. Todo um setor de construção civil pesado foi desmontado com uma operação que não para nunca. E quem está pagando a conta somos nós, trabalhadores”.

“É corrupto, mas gera emprego” é o novo “rouba, mas faz”.

Se o sujeito emprega, então que forme cartel, oligopólios, suborne pelo controle de contratos estatais, vale tudo. Fico até a pensar se é o caso de combater o tráfico de armas, por exemplo. Mata, mas emprega muita gente.

E a que ponto chegamos quando central sindical de trabalhadores defende a corrupção de empresários em nome dos postos de trabalho gerados.

SÓCIOS

Com a prisão de Wesley Batista, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) defendeu processo seletivo para a escolha do novo presidente para a JBS.

O que o BNDES tem a ver com isso? Além de financiar o grupo empresarial ao qual pertence a Friboi, o banco é grande acionista da JBS. Tem 21,3% das ações, a metade dos 42% que possuem os irmãos Joesley e Wesley, controladores do grupo.

O que quer dizer o seguinte: um pedaço da JBS, onde tem sido feita toda essa bandalheira que tem vindo a público pertence a você e a mim. Ao povo brasileiro. Não apenas via BNDES. A Caixa Econômica Federal possui cerca de 4% das ações.

Um quarto da JBS pertence à população. Não é uma beleza onde está sendo colocado nosso dinheiro?

MAIS UMA DO RIO

O ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PR), foi preso de novo ontem pela Polícia Federal. A primeira vez havia sido em novembro de 2016.

Todo dia uma novidade sobre esquema de corrupção no Rio de Janeiro.

 

ÉRICO FIRMO