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O apocalipse zumbi da velha política

2017-04-13 01:30:00

A lista de Luiz Fachin coloca em suspeita todos os alicerces da política brasileira. A depender dos desdobramentos, deveria ser suficiente para encerrar todo esse ciclo de poder no Brasil. Afastar essa geração e abrir espaço para a ascensão de novos dirigentes, que cometam novos erros e trilhem caminhos diferentes.


Todos os presidentes da República vivos foram citados em delações:


1) JOSÉ SARNEY (PMDB) - 1985 A 1990

De acordo com as delações dos ex-executivos da Odebrecht Pedro Augusto Carneiro Leão Neto e João Antônio Pacífico Ferreira, pessoas ligadas a Sarney receberam cerca de 1% sobre os contratos da Ferrovia Norte-Sul. A obra é um escândalo de 30 anos. A construção começou em 1987, quando Sarney era presidente. Tinha objetivo de ligar o Pará ao Rio Grande do Sul. Após três décadas, ficou pronto trecho entre Maranhão e Tocantins, equivalente a 215 dos mais de 4 mil quilômetros previstos.

2) FERNANDO COLLOR (PTB) - 1990 A 1992

Dois executivos da Odebrecht disseram que recebeu R$ 800 mil de caixa dois em sua campanha ao Senado em 2010.

3) FERNANDO HENRIQUE CARDOSO (PSDB) - 1995 A 2002

Segundo Emílio Odebrecht, patriarca da empreiteira, recebeu repasses ilegais para suas duas campanhas presidenciais.

4) LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA (PT) - 2003 A 2010

Presidente afastado da Odebrecht, Marcelo Odebrecht disse que o ex-ministro Paulo Bernardo pediu 40 milhões de dólares, por indicação do ex-presidente, para aprovação de linha de crédito de US$ 1 bilhão para que a empresa exportasse bens e serviços para Angola. Emílio Odebrecht e Cláudio Melo Filho descrevem tratativas com Lula sobre medida provisória que permitiria acordos de leniência sem a participação do Ministério Público. As delações apontam ainda que a empreiteira custeou reformas no sítio em Atibaia (SP) usado corriqueiramente por Lula e adquiriu imóveis para o ex-presidente e para o Instituto Lula, além de pagamentos expressivos por palestras. Antonio Palocci e Guido Mantega teriam sido intermediários. Teria havido ainda ajuda a irmão e a filho de Lula.

5) DILMA ROUSSEFF (PT) - 2011 A 2016

O ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht Alexandrino Alencar relatou que ela recebeu “vantagens indevidas, não contabilizadas, no âmbito da campanha eleitoral no ano de 2014”. Marcelo Odebrecht disse que contou a Dilma sobre as propinas pagas na Petrobras a PT e PMDB.

6) E MICHEL TEMER (PMDB)?

O atual presidente tem imunidade enquanto ocupar o cargo. Não pode ser alvo de inquérito. Porém, ele é citado em delações. Eliseu Padilha, ministro-chefe da Casa, e Moreira Franco, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, teriam pedido dinheiro em nome do PMDB e de Temer. Marcelo Odebrecht confirmou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que tratou com Temer de doações para a campanha de 2014. O ex-diretor Claudio Melo Filho mencionou contribuição de R$ 10 milhões ao PMDB.

A UNIÃO DOS QUE PARECIAM OPOSTOS

É uma bofetada em quem há anos se digladia no ataque e defesa de partidos e políticos, principalmente nas redes sociais. Em diferentes gradações, personagens que aparecem como polos distintos da política brasileira se revelam adeptos das mesmas práticas, das mesmas relações espúrias, atendem os mesmos interesses.

Politicamente, o que está posto seria suficiente para varrer todos eles. Mas, há dois dramas. O primeiro é não terem sido construídas alternativas reais. O segundo é consequência de esquema tão generalizado descoberto: interessa a todos os protagonistas da política brasileira nos últimos 30 anos sufocar a Lava Jato. Como nos métodos, interesses de PMDB, PSDB, PT e tantos outros convergem. A amplitude alcançada pela operação é uma grave ameaça a ela. A política brasileira hoje tem em quase todos os seus atores potenciais candidatos a cadáveres insepultos. Farão de tudo para não serem varridos. Pelo histórico do País, não será de surpreender que continuem a dar as cartas, mesmo mortos politicamente.

 

Érico Firmo

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