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Novo patamar da disputa pelo poder

01:30 | Fev. 04, 2017
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Érico Firmo

Jornalista, editor-executivo do núcleo de Cotidiano do O POVO

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A briga por poder no Ceará a cada dia alcança novos patamares. A extinção do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) foi aprovada, em dezembro, como sinalização da hegemonia total do grupo Ferreira Gomes sobre o Ceará. Incomodados com o ex-aliado que os confrontou, eles partiram para a retaliação. Controlam o Executivo e o Legislativo do Estado. Quiseram mostrar que, dentro das divisas cearenses, mandam eles e obedece quem tem juízo. Como têm maioria para tal, atropelaram qualquer resistência e tomaram medida extrema. Sem hesitar, extinguiram o órgão que se tornara bastião de um poderoso opositor.


Ocorre que hoje, no Brasil, o PMDB pode mais. Camilo Santana (PT) e os Ferreira Gomes controlam o Ceará, mas em Brasília quem manda são os peemedebistas. E o líder opositor cearense, Eunício Oliveira (PMDB), jamais pôde tanto em Brasília.


Nem bem tomou posse como presidente do Senado, executou gesto voltado para a disputa de poder local. O primeiro projeto de que se tomou notícia do agora presidente do Senado no cargo voltou-se à disputa política no Ceará. Busca justamente impedir a articulação de deputados cearenses para acabar com o TCM. Os aliados dos Ferreira Gomes decidiram levar adiante uma briga de poder que talvez não tenham cacife para ganhar.


Os atos dos dois grupos políticos são distorções. União entre casuísmo e demonstrações do poder de que dispõem. As forças que governam o Ceará não aprovaram o fim do TCM por acreditarem que o melhor é unificar os tribunais de contas. Em nenhum momento a economia e a melhor forma de controle das contas públicas lhes passou pela cabeça. Aprovaram a emenda à Constituição porque têm maioria e poder para tal. E tiveram objetivo unicamente de tirar o instrumento de poder do aliado. Simples assim.


Da mesma maneira, o PMDB cearense reagiu em Brasília porque não tem como se contrapor à supremacia do grupo governista no Ceará. Levaram a briga, então, ao espaço que controlam. As decisões federais se sobrepõem a locais. E lá o partido de Eunício Oliveira dá as cartas. Ele assumiu a presidência do Congresso Nacional, seu partido tem maioria nas duas casas, tem a presidência da República, o controle da agenda legislativa. Em suma, os Ferreira Gomes compraram briga com alguém que, hoje, pode muito mais que eles. O grupo que comanda o Ceará pode dar com os burros n’água na batalha que encampou.


Para o interesse público, tudo isso é lamentável. Os dois grupos dão mostras de não conhecerem limites, de estarem dispostos a qualquer coisa na luta por poder. Mexem de todo jeito na Constituição Estadual e também na Federal, unicamente pautados pelos mais rasteiros interesses de ocasião. Papelão de parte a parte. Quem perde, com qualquer desfecho, é a fiscalização das contas públicas.


ONDE ECONOMIZAR

Aliados do governo do Ceará usam como argumento oficial a tentativa de economizar dinheiro. Ora, no momento de tantos escândalos pelo Brasil, com tanta confusão em prefeituras, resolvem poupar dinheiro logo acabando com órgão de fiscalização?

 

INVESTIGADO PODE SER MINISTRO?

A indicação de Moreira Franco para a recriada Secretaria-Geral da Presidência repete a polêmica que Dilma Rousseff (PT) criou ao indicar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Casa Civil. Lula acabou sendo impedido pela Justiça de ocupar o cargo. A nomeação foi interpretada como tentativa de obstruir a Justiça ao dar a ele foro privilegiado. Pois Moreira Franco foi citado na delação na Lava Jato feita por Claudio Melo Filho, ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht. Claudio disse que o agora ministro era intermediário para fazer seus pleitos chegarem a Michel Temer (PMDB).

Moreira Franco não é réu, assim como Lula também não era quando virou ministro. O ex-presidente só virou réu em julho, quando Dilma já estava afastada da Presidência. A conferir se a Justiça adotará o mesmo critério. Ou se serão duas medidas para diferentes pesos.


MÁQUINA CRESCE

Michel Temer extinguiu ministérios quando quis dar recado de austeridade. E recriou agora para acomodar sua base política. Uma das pastas já foi citada acima e contemplou o PMDB. Mas, o principal beneficiário das mudanças de Temer é o PSDB, justamente o partido que mais cobra enxugamento da máquina, austeridade, essa ladainha toda. Para inglês ver. Querem ver reduzido aquilo que não mexe com seu poder, suas verbas. Quando a austeridade bate à porta deles, acham ruim e pedem mais espaço.

O PSDB ganhou o recriado Ministério dos Direitos Humanos e ficará também com a Secretaria de Governo. Cargos fruto de acordo feito lá atrás e que envolveu o apoio a Rodrigo Maia (DEM-RJ) para presidente da Câmara. Um grande conchavo em torno de cargos. Nada de novo sob o sol.

 

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