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Diplomacia partidarizada

01:30 | Fev. 24, 2017
Autor Érico Firmo
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Érico Firmo Editor e Colunista
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Tipo Notícia

O governo Michel Temer (PMDB) ascendeu com discurso de meritocracia, mas o que se vê é o avanço da partidarização mesmo sobre áreas que tradicionalmente são menos cobiçadas por políticos. O PSDB já avança sobre áreas diversas da Esplanada, inclusive sobre ministérios que haviam sido extintos. Com a saída de José Serra (PSDB) das Relações Exteriores, o partido se movimenta para não perder a vaga. A coluna comentou ontem a cotação do senador paulista Aloysio Nunes Ferreira. Ontem, despontou entre as apostas o cearense Tasso Jereissati. Ambos estiveram envolvidos em entrevero, em 2001, narrado ontem pela coluna. A confusão teve como pivô a articulação de Nunes em favor de Serra - cuja saída abre o espaço que um dos dois pode ocupar. O mundo dá voltas, mas acaba voltando ao mesmo lugar.


O que me chama atenção é o interesse político nas Relações Exteriores. Houve, sim, um tempo em que o Itamaraty foi espaço mais político. Na ditadura militar, foram ministros Magalhães Pinto e Juracy Magalhães - o ex-governador da Bahia, não o ex-prefeito de Fortaleza. Na transição, José Sarney (PMDB) teve como ministros Olavo Setúbal e Abreu Sodré, respectivamente ex-prefeito e ex-governador de São Paulo. Um não foi eleito - era prefeito biônico. O outro foi eleito indiretamente.

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Porém, desde o fim do governo Itamar Franco, passaram a predominar quadros da diplomacia nas Relações Exteriores. Até Dilma Rousseff (PT), o último ocupante do Itamaraty (foto) que era político de carreira havia sido Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Celso Amorim, ministro de Itamar e Lula, era filiado ao PMDB e depois migrou para o PT. Mas, nunca teve atuação na política partidária.

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Com a chegada de Temer ao poder, os políticos de carreira voltam a comandar a diplomacia brasileira. O cargo volta a ser objeto de negociações partidárias e cota nas negociações. Uma pena.


PARA ONDE VAI O DINHEIRO QUE IRIA PARA O CARNAVAL?

A cada ano tem crescido a tendência de prefeituras cancelarem festas de Carnaval, com argumento de redirecionar recursos para combate à seca e em função da crise econômica. São motivos justos. Se há colapso hídrico, se está instaurada a calamidade, se não há como arcar com os compromissos, é irresponsável fazer festa. Porém, o cancelamento de festas, como regra, tem servido muito é para a mais barata demagogia.

Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) e Ministério Público Estadual têm recorrentemente pressionado prefeituras a cancelarem festas. Gostaria sinceramente de saber se há a mesma preocupação em acompanhar para onde o dinheiro é redirecionado. Parece muitas vezes que os órgãos de controle só querem garantir que o dinheiro não seja gasto com Carnaval. Com o que será não vem tanto ao caso.


A HIERARQUIA DOS DIREITOS

O cancelamento das festas joga para a plateia que não depende de opções gratuitas para ter diversão. Ocorre que a Constituição elenca o lazer no capítulo dos “direitos e garantias fundamentais”. Está lá, ao lado de educação, saúde, trabalho, moradia, segurança e outros mais. A Constituição não estabelece hierarquia entre esses direitos. Não há um mais importante que o outro. Porque houve a compreensão de que não basta atender as necessidades biológicas. Não nos basta alimentação, reprodução. Não basta saúde. Num estágio além, não basta ter onde viver, ter educação. O que nos diferencia dos outros animais é a necessidade de cultura. Diversão, lazer não são supérfluos. Negar isso ao ser humano, fornecer apenas o essencial para a sobrevivência, desumaniza-o.

O discurso de garantir primeiro o essencial faz todo sentido e por isso é popular. Fala sobretudo àqueles que têm condições de pagar por lazer. Porém, para muita gente, qualquer real que se cobra é um impeditivo no acesso à cultura e ao entretenimento. Para muitos, até o preço da passagem
obstrui o acesso à diversão.


Estou falando de condições de pobreza. A solução estrutural não é garantir de graça aquilo pelo qual as pessoas não têm condição de pagar. O cerne da questão é a miséria. Mas, enquanto ela não acaba, é papel sim da coletividade, organizada na forma do Estado, propiciar aos mais vulneráveis aquilo que é necessidade primária. Isso é supérfluo para quem não precisa.

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