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Renúncia é a melhor saída

01:30 | Mai. 19, 2017
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Tipo Notícia

A história recente do Brasil tem provado que os problemas devem ser tratados como um banho frio. Ou seja: rapidamente. Quanto mais se prolongam as crises, mais as coisas se degradam.


O pronunciamento do presidente Michel Temer, ontem, de que não iria renunciar após as denúncias envolvendo o seu nome, tem um significado real para o País: demoraremos um tempo maior para pensar no que é realmente urgente e a crise pode ser prolongada.


Diante do teor das denúncias, o presidente não tem condição de ficar no cargo. As provas sobre a veracidade ou não das denúncias devem ir para a Justiça, mas o País precisa continuar e tentar sair da recessão. O nome de Temer sempre foi frágil, impopular e envolto em suspeitas, como também de vários representantes do Congresso citados na Operação Lava Jato.

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Mais do que qualquer tipo de reforma, o urgente nesse momento é um processo de limpeza na política, com eleição, legitimando quem assumir o poder e toda a sua base parlamentar. Não há economia que resista a tantas denúncias de corrupção. Talvez o Brasil passe agora por um momento importante de evolução moral, com punições e prisões. Um processo doloroso, mas importante para a construção de novas relações entre as empresas e os governos.


Quem sabe, estejamos caminhando para o fim de um cinismo corporativo e governamental que era tolerado, mas que não tem mais como se sustentar.


CÂMBIO


O PREÇO DAS INCERTEZAS


O mercado coloca preço e há um valor alto a ser pago pela instabilidade. Ontem, as oscilações na Bolsa de Valores e no câmbio mostraram a força das especulações diante das incertezas. Sempre há quem ganhe nesses momentos em que muitos perdem.


O dólar é um bom exemplo disso. O valor da moeda norte-americana chegou a R$ 3,72 em algumas casas de câmbio em Fortaleza, quando em outras chegou a faltar. Em São Paulo, foi vendido a até R$ 3,93 para quem queria viajar e há apostas de que deve atingir o pico de R$ 4. Eis o que provoca o clima de tensão.


USO DO PODER


RELAÇÕES ESCUSAS COM GOVERNOS


Os defensores do anarco-capitalismo desde ontem estão com um prato cheio para digerir. Esse termo foi utilizado pelo economista Murray Rothbard na década de 1940 e capta a ideologia de grupos que defendem que todos os serviços devem ficar com a iniciativa privada. Diante das relações escusas entre os setores público e privado, talvez essa corrente ganhe reforço, mas deve-se pensar qual o papel das empresas na sociedade.


Os escândalos envolvendo grandes companhias revelam como o Brasil precisa melhorar seu padrão ético e moral e que os problemas não estão apenas dentro da área pública, mas passa pelos critérios para uso do poder.


E fica uma pergunta: onde estão os conselhos fiscais dessas empresas, que aprovam suas contas sem questionar a retirada de recursos para corrupção?


MERCADO 1


ONDE ESTÁ A GOVERNANÇA?


O economista José Maria Porto é um defensor da governança corporativa como caminho para que as empresas melhorem a gestão e garantam transparência nas suas operações. Mesmo com todos esses escândalos, ele fala que os conceitos de governança continuam sendo aprimorados no País. Há uma melhora na apresentação de dados contábeis e de aprimoramento de critérios e avaliação de balanços, mas os números da corrupção estão fora dos dados formais.


O problema estaria nas relações com os governos. Nesse quesito, as companhias ainda têm muito para evoluir.


MERCADO 2


ANÁLISE MAIS PROFUNDA


O consultor Raimundo Padilha é um pouco mais radical em relação às práticas empresariais. Embora reconheça a necessidade de melhorar a governança empresarial, ele destaca que, em caso de denúncias de corrupção, as empresas que assinam os balanços e os conselhos deveriam também ser interpeladas. Afinal, as reuniões são apenas para o chá das cinco?


A coluna procurou a direção do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) em São Paulo para falar sobre o caso da JBS e suas repercussões, mas a entidade informou que, por política interna, não comenta casos específicos.

 

FIEC


MANIFESTO DA INDÚSTRIA


A Federação das Indústrias (Fiec) lançou ontem um manifesto reafirmando o seu compromisso de apoio com as reformas e com as políticas consideradas importantes para destratar a economia. A condução desse projeto, pelo texto apresentado pelos industriais, deve estar dentro dos valores éticos e dos parâmetros estabelecidos pela Constituição Federal. Portanto, pelo que informa a nota, sem apego a nenhuma liderança.


Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo”

Eça de Queirós (1845-1900), escritor português

RÁDIO


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