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Para quem escrevemos?

00:00 | 02/12/2018

A semana que passou foi permeada por longas e boas conversas com alguns dos leitores do O POVO. Espontaneamente nos procuraram com o intuito de opinar para contribuir com a qualidade da informação que o jornal divulga. Muitas vezes, nem querem uma resposta imediata, mas tão somente tentar nos mostrar que nem sempre o que fazemos está certo e que há, por vezes, outros pontos de vista que devem ser levados em consideração a cada vez que pensamos em produzir um texto.

 

Um dos leitores reclama da repetição dos articulistas nas páginas. Não percebe inovação nos nomes nem nos temas. E, veja só, indica uma preocupação que deveria ser mais institucional do que qualquer outra coisa: o editorial, aquele texto que é a voz do jornal, no qual a instituição se expressa, não tem destaque, diz. Outro leitor, opositor das ideias do articulista Valdemar Menezes, lamenta consideravelmente a saída do jornalista. Acha que o jornal perderá em conteúdo e não vê, por ora, outro substituto. Não foi o único a se queixar da saída.

 

Outros reclamam de que, no título da manchete do portal, focamos que o time escapa do rebaixamento, em vez de dizer que o time se manterá na Série A. Os fatos não são sinônimos quando se trata de quem lê. Além disso, há os que, incomodados com um ponto de vista, nos sugerem outros. Além dos outros que nos apontam os constantes e incômodos erros de português. Todas são sugestões válidas, vindas de um público que quer e precisa ser ouvido.

"Para quem escrevemos?" é uma pergunta que insisto em fazer e que insisto que deva ser feita a cada vez que nos sentamos em frente às telas. Nem sempre escrevemos para nós mesmos.

 

O POVO tem à disposição o Conselho de Leitores, um dos canais de comunicação com membros do leitorado, que nos serve de termômetro sobre o que temos publicado. É uma amostra extremamente significativa diante do universo leitor. O público é diverso, heterogêneo e precisa ser entendido em sua diversidade. O jornalista não é um fim em si mesmo. Ele precisa ter em mente, de início e sempre, que o leitor para quem ele escreve nem sempre é o colega do lado.

 

Fontes

No domingo passado, neste espaço, comentei sobre a pesquisa do Atlas da Notícia, especificamente quanto aos dados da região Nordeste, que apontam o crescimento do jornalismo on-line e digital, em detrimento do jornalismo impresso. Informações mais detalhadas acerca do estudo e dados sobre as outras regiões estão disponíveis neste link https://bit.ly/2P9uqNS e neste: https://bit.ly/2FDrTMn

 

Erramos

Conforme levantamento do O POVO.Doc, que é o setor responsável pelo banco de dados do Grupo de Comunicação O POVO, nos últimos três meses foram publicadas no jornal impresso 16 correções. Em setembro, foram 5 - dessas, duas em colunas. No mês de outubro, foram mais 5 - dessas, um em artigo e mais um em coluna. Apenas três retificações, portanto, em matérias. No mês de novembro inteiro, foram 6 correções. Em agosto, haviam sido publicadas 13 correções.

 

O jornal estaria errando menos ou publicando menos suas correções? Que critérios existem para a publicação das correções? Ignoram-se os erros de português? Retificam-se apenas os erros de informação maiores ou menores? Como mensurar um erro maior ou menor? São questionamentos que devem ser respondidos para fins de clareza quanto à publicação, que, vez por outra, erra até quanto à sua padronização. Nem nas colunas é fácil achar uma correção. Às vezes, chamam de "Erramos". Em outras vezes, passa por uma mera "Correção". O leitor que entenda.

 

Por óbvio, é sempre constrangedor assumir os nossos erros ao público. No jornalismo, no entanto, vivemos disso. No O POVO, principalmente - que é o único jornal impresso a assumir as suas falhas nas erratas jornalísticas. É para isto que elas existem e devem ser usadas. Sempre gosto de ressaltar que o leitor que verá a correção nem sempre é aquele que leu o erro. Não temos garantia alguma de que a retificação chegará às mãos e aos olhos do leitor primeiro. Entretanto, publicá-la é sinal de compromisso com a atenção e com a responsabilidade que temos com o leitor e, sobretudo, com a qualidade da informação que tanto propagamos.