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VERSÃO IMPRESSA

O debate no WhatsApp

00:00 | 21/10/2018
De acordo com informações do WhatsApp, são 120 milhões de brasileiros que utilizam o aplicativo. No Brasil, não é tão somente um aplicativo de mensagens - é também uma rede social. Isso significa ter conversas em grupos, em que se reúnem até 256 membros. Não à toa, o WhatsApp foi tema de diversas notícias divulgadas na semana que passou acerca da fraude disseminada a partir do uso da ferramenta.

 

O WhatsApp tem uma força tão significativa no Brasil que ultrapassa o número de usuários, eleitores, do Facebook, por exemplo, que, até algum tempo atrás, era a rede social mais queridinha pelos brasileiros. De acordo com números recentes do Datafolha, em pesquisa divulgada neste mês, as duas redes são as mais usadas pelos usuários para se informar sobre os seus candidatos.

 

A pesquisa esmiúça também que 81% dos eleitores do candidato Jair Bolsonaro (PSL) têm conta em redes sociais. Eleitores do candidato Fernando Haddad (PT) eram 58%, de acordo com o levantamento. Em relação aos eleitores do candidato do PSL, 61% disseram ler notícias no WhatsApp e 40% afirmam compartilhar notícias de política na plataforma. E 38% dos eleitores do candidato do PT declararam ler notícias pelo WhatsApp e 22% disseram compartilhar na plataforma conteúdo acerca de política.

 

Entre os eleitores brasileiros, o WhatsApp é a rede social mais difundida, utilizada por 66% deles. São 97 milhões de pessoas que fazem uso da ferramenta. Em suma: os eleitores brasileiros aderiram à rede social de mensagens instantâneas como fonte de informação, e esse processo parece ter-se intensificado durante o período eleitoral. São números que não podem ser ignorados e dizem muito do perfil do eleitor no País.

 

Debate

 

É uma ferramenta razoavelmente fácil de ser utilizada, constantemente atualizada com recursos práticos que facilitam a comunicação e difícil de ser combatida. O prato ideal para a difusão das notícias falsas. O jornalismo precisa estar cada vez mais atento a ela. Não é tão inofensiva quanto parece. 

 

Chega a locais nos quais, antes, a comunicação se dava de forma rudimentar. 

 

É um exemplo claro da típica frase - aproximou quem está longe. Mas ajudou a criar um ambiente de certezas e verdades, sem verificação por parte de quem recebe.

 

Assim, iniciativas de verificação das informações são válidas, porque auxiliam na função da imprensa de cobrar, questionar, checar e bem informar. No entanto, como forma de minimizar essa disseminação, é preciso ampliar o debate e discutir. Classificar como "polêmico" e não analisar é tarefa pela metade. Aceitar que as notícias falsas estão vencendo é se deixar apequenar diante do papel de esclarecer.

 

Ataques à imprensa

 

Levantamento da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) aponta que o número de casos de agressão a profissionais da Comunicação chega a 137 neste ano de 2018. Todos envolvem um "contexto político, partidário e eleitoral". Os ataques acontecem por vários meios - foram 75 por meios digitais, com 64 profissionais atingidos; e 62 casos físicos, com 60 profissionais atingidos.

 

Nesse cenário, a imprensa virou um alvo, e o mais frágil deles - os profissionais - está exposto a ofensas e todo tipo de agressão. Jornalistas autores de matérias de investigação e de denúncia estão sendo acusados de influenciarem suas matérias com ideologias pessoais e de colocarem à mostra suas preferências políticas. Acusações, ofensas, xingamentos e ataques nas redes sociais já são condenáveis e devem ser condenados. Quando os números se avolumam em casos físicos, a situação parece ter chegado às raias do cerceamento do direito à informação.

 

Os profissionais da imprensa têm espaços na grande mídia, no O POVO também, para expressarem seus pensamentos, análises e pontos de vista. Há espaços claramente definidos para isso, para a análise séria e responsável. É claro que o leitor tem estado mais crítico e exigente, mas tentar combater qualquer vestígio ideológico na atuação profissional de modo ofensivo e agressivo é comprometedor e arriscado para a divulgação das informações de interesse público por uma imprensa realmente livre.

 

por Daniela Nogueira